terça-feira, 31 de março de 2009

Estudante Trabalhador de Palavras



Hoje, a minha vida são pessoas.
São sensações.
Através da escrita e da leitura mergulho
na profunda humanidade dos seres.
Eu e os Outros. Os Outros e Eu.
Nós.
E a Natureza a sorrir ao fundo, como
um pai que observa o filho enquanto brinca.
Uma fada, uma minhoca, um astronauta
um lírio, uma pauta e muita tinta que pinta
lá dentro onde somos tudo isso e ainda
O Feiticeiro de Oz.
Não trabalho com significados,
trabalho com sentidos. Sentir, exprimir.
Invento espectáculos, invento oficinas.
Vou a espectáculos, vou a oficinas.
Para mim, a escrita e a leitura
são um mapa. Não são o tesouro.
O tesouro somos nós,
a nossa alma de meninos ainda traquinas
a nossa madura capacidade de entrega

à mãe das almas do mundo.




Ligo tudo com tudo: arte, ciência, filosofia, terapia
religião, economia, realidade, fantasia
e um dia... não haverá um Ser Humano

separado, fatia por fatia.

Já sinto o bolo de luz inteiro
como um ovo, o novo

resplandecente...

Mundo Novo.
Por isso sigo o rasto da fada transparente
que abria a boca fininha e soprava
pelo buraco da fechadura
a poesia nasce na raíz da vida e desagua
nas folhas da literatura.

O Encantador de Palavras...

O encantador de Palavras


certas manhãs debruço as orelhas
sobre o coração e oiço as estrelas
a bater lá dentro

palpitam-me florestas inteiras
dentro das veias


in O céu dentro da boca de Paulo Condessa



emprestado do sangue transparente

Beijo grande e abraço de árvore amigo "by the bridge" ih ih...

Dia Internacional do Livro Infantil









Mensagem 2 de Abril de 2009

Eu sou o mundo

Eu sou o mundo e o mundo sou eu,
porque, com o meu livro,
posso ser tudo o que quiser.
Palavras e imagens, verso e prosa
levam-me a lugares a um tempo próximo e distante.


Na terra dos sultões e do ouro,
há mil histórias a descobrir.
Tapetes voadores, lâmpadas mágicas,
génios, vampiros e Sindbades
contam os seus segredos a Xerazade.


Com cada palavra de cada página
viajo pelo tempo e pelo espaço
e, nas asas da fantasia,
o meu espírito atravessa terra e mar.


Quanto mais leio mais compreendo
que com o meu livro
estarei sempre
na melhor das companhias.


Hani D. El-Masri *Tradução: José António Gomes

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sentado ao sol

Sentado ao sol
olhando o copo meio vazio
já sabe
que amor não se procura
ele nos acha nos encontra
Amor é milagre
milagre não se faz
acontece
e pela qualidade do milagre
e de quem o recebe
ganha dimensão
ou morre
longe que está
em seus pensamentos
não percebe
seus meninos
brincando
e largando berlindes
dentro do copo
quando volta
de seus pensamentos
ele procura o restinho
de bebida
e se espanta
seu copo
está meio cheio
seu copo
está meio cheio!

sábado, 28 de março de 2009

e das minhas nostalgias...




GREGORY COLBERT um feiticeiro da imagem






Leio...logo existo!

“ Tudo o que aprendemos nas nossas vidas breves não é mais do que uma ninharia insubstancial arrancada à enormidade do que nunca saberemos.”


Rosa Montero " Instruções para salvar o mundo"

Parque central hoje









fotos Maria Joyce

quinta-feira, 26 de março de 2009

MAD WORLD

TERRA SONÂMBULA





Mia Couto / Teresa Prata e o "ALADINO JASSE"

nosso Dino

Saudades de TU amigo...





Duas histórias separadas pela guerra e unidas por um diário. Entre a Guerra Civil e as histórias de um diário perdido, Muidinga e Tuahir são os heróis deste filme. Muidinga lê no diário, encontrado ao lado de um cadáver, a história de uma mulher que encerrada num navio procura o filho. Muidinga convence-se que é o menino procurado no diário. Vai então ao encontro da mulher, com Tuahir, um velho seco e cheio de histórias que o trata como filho. A viagem é dura: eles movem-se entre refugiados em estado de delírio. Para não enlouquecerem, têm-se um ao outro. A estrada por onde caminham, como sonâmbulos, é mágica: entende os seus desejos e move-os de um lugar a outro, não os deixando morrer enquanto eles não alcançarem o tão sonhado mar. Os dias são de fuga, dos guerrilheiros e da fome, as noites são de busca de uma história de aventuras.

Ficha Técnica:
Realização: Teresa Prata
Argumento: Teresa Prata (adaptação da obra de Mia Couto)
Produtor: António da Cunha Telles e Pandora da Cunha Telles
Ano: 2007
Género: Drama
Duração: 98’

Elenco:
Nick Lauro Teresa (Muidinga)
Aladino Jasse (Tuahir)
Tânia Adelino (Filomeninha)
Cândido Andrade (Bando I)
Valdemar António (Bando I)
Aron Silva Bila (Antoninho)
Ana Magaia (Tia Euzinha)
Laura Soveral (D. Virgínia)

Prémios:
International Film Festival Kerala, Índia (2008) – Prémio FIPRESCI
Pune International Film Festival, Índia (2008) – Melhor Realização
FAMAFEST, Portugal (2008) – Prémio da Lusofonia
Asian, African and Latin American Film Festival, Milão (2008) – Prémio SIGNIS
Indie Lisboa, Portugal (2008) – Prémio do público e menção honrosa da Amnistia Internacional
Festival Internacional de Cinema de Bursa, Turquia (2008) – Melhor Argumento

Nomeações:
Natfilm Festival Copenhaga, Dinamarca (2008) – World Wide Programme.

Outros Festivais em que participou:
Festival de Cinema de Montreal, Canadá (2007) – Estreia Mundial
Festival Internacional de Cinema de Mannheim-Heidelberg, Alemanha (2007)
Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, Brasil (2007)
Afrikamera, Polónia (2008)
Melboune International Film Festival, Austrália (2008)
Fajr Internacional Film Festival de Teerão, Irão (2008)
Bird Eye View Festival, Inglaterra (2008)
Africa In The Picture, Holanda (2008)
Films From The South, Noruega (2008)

Nota:
“Terra Sonâmbula” é a primeira longa-metragem de Teresa Prata, baseada na obra homónima de Mia Couto. O filme tem sido bem recebido pela crítica internacional, ganhando vários prémios importantes.

quarta-feira, 25 de março de 2009

A ÁRVORE GENEROSA

Um Livro A ÁRVORE GENEROSA-THE GIVING TREE
Um autor SHEL SILVERSTEIN
Uma história que não consigo parar de contar
Que comove que acrescenta...
Um livro inesquecível
e agora encontrei...





Era uma vez uma árvore que amava um menino

e todos os dias o menino vinha

juntava todas as folhas que caíam e com elas

fazia coroas...

terça-feira, 24 de março de 2009

ASIMBONANGA




Esta música deixa-me em paz com o mundo...


Johnny Clegg...e a voz de pássaro que trás pela mão MADIBA

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Vida é uma canção

O sonho...

Era uma vez um pássaro, que sendo ainda pequeno, dependendo sempre dos seus pais, vivia com admiração permanente o voo dos outros pássaros.

Ah, a liberdade de poder fazer aquilo que se quer! Pensava o nosso pássaro.

- Como eu gostava de sentir o vento, na minha cara, como eu gostava de sentir o mar azul que eu sempre vejo aqui da minha casa! Como eu gostava de ir visitar os meus primos que estão nas suas casas como eu!

Mas o nosso pássaro não sabia como fazê-lo, nem os seus pais mostravam vontade de o ensinar. É claro que ainda não era o tempo. Afinal nascera fazia um pouco mais de um mês! Ainda nem tinha penas; tinha uma penugem que cedo, cedo se tranformaria numa plumagem abundante e bela.

Os dias passavam uns sobre os outros e o nosso amigo só comia, comidinha que os seus pais traziam continuamente.

Um dia, já o nosso amigo estava farto em penas, gordo e até já exercitava as suas asas, percebeu que nem o pai, nem a mãe apareceram, de tal sorte que já dava mostras da impaciência da fome. Percebeu a falta que os pais lhe faziam, por necessidade e também pelo apego que tal relação de sangue sempre traz consigo. Começou a sentir sentimentos novos: fome, medo, saudade, tristeza, saudade, pânico,... É muito para um ser nascido faz tão pouco tempo!

- O que é que eu faço? Alguèm tem de me ensinar! Eu não sei lidar com tudo isto!

O nosso pássaro que mal sabia falar, começou aos guinchos a abanar insistentemente as asas que de repente uma forte rabanada de vento, fê-lo saltar do lugar onde estava e mal percebendo viu-se no ar...

Com o seu coraçãozinho aos saltos, completamente em pânico, foi-se deixando cair pela falésia que dava para o mar logo em baixo. Que fazer? Que fazer?

Como que por encanto, sentiu o peito quente, abanou as suas frágeis asas, como os seus pais faziam e ganhou altura... Deixou de dar com as asas e manteve-se no ar, quase que flutuando. Que sensação!! Que sensação!! Durante minutos que lhe pareceram horas assim se manteve, maravilhado com a nova prespectiva que o movimento lhe causava. O brilho do mar, a sua casa, tão pequenina?!..., os montes, as arvores, os outros pássaros, o barquinho que via lá em baixo!!.

Então começou a ficar fraco – afinal não comeu o dia todo – todo o seu corpo começou a ficar pesado, dorido, e foi perdendo altitude, de tal sorte que o mar cada vez lhe parecia mais escuro. Tentou pousar como ele via outros fazerem mas não conseguiu. O impacto foi forte. A água entrou-lhe pelas goelas, pensou que ia morrer. Não conseguia respirar, tudo era escuro à sua volta; sentia frio, estava descontrolado, estava realmente a afogar-se nas profundezas...

Vindos não se sabe donde, um pássaro... e depois outro, formando como que uma concha, fazendo lembrar o tempo de gestação, puxaram-no para cima, com tal velocidade que toda a água que estava no corpo do nosso jovem foi expelida. De repente olhou para os seus salvadores e reparou com ternura, com emoção, com grande alegria, pelo cheiro, pelo simples olhar... e desmaiou.

Durante o sonho, que o viveu como se estivesse no céu, pensou que tinha a seu lado os seus pais queridos. Que saudades, que necessidade de os agarrar, de lhes contar o que tinha sucedido. A fome, o medo, a tristeza, o pânico... tudo desapareceu.

Quando acordou o sonho confundiu-se com o que estava a viver.

Zé Pedro – Março 2009

domingo, 22 de março de 2009

The call

[...]
nem sequer impossível. A verdade, como o silêncio, existe apenas onde não estou. O silêncio existe por trás das palavras que se animam no meu interior, que se combatem, se destroem e que, nessa luta, abrem rasgões de sangue dentro de mim. Quando penso, o silêncio existe fora daquilo que penso. Quando paro de pensar e me fixo, por exemplo, nas ruínas de uma casa, há vento que agita as pedras abandonadas desse lugar, há vento que traz sons distantes e, então, o silêncio existe nos meus pensamentos.
Intocado e intocável.
Quando volto aos meus pensamentos, o silêncio regressa a essa casa morta. É também aí, nessa ausência de mim, que existe a verdade.
[...]

in Cemitério de Pianos,
José Luís Peixoto

UM SONHO...




Há dias em que nos apetece lavar o mundo...

Entrei no café com um rio na algibeira

e pu-lo no chão,

a vê-lo correr

da imaginação...

A seguir,

tirei do bolso do colete

nuvens e estrelas

e estendi um tapete

de flores a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,

tirei da boca um pássaro a cantar

e enfeitei com ele a Natureza

das árvores em torno

a cheirarem ao luar

que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir

A melodia sem contorno

Deste acaso de existir

-onde só procuro a Beleza

para me iludir

dum destino.


José Gomes Ferreira

Tears in heaven

sábado, 21 de março de 2009

Quem me dera ter lá estado...

Ao pé da Árvore da Poesia vão despontar as folhas da Primavera que ainda há-de vir, poesia escrita numa fita vai voar, para colorir o dia, poesia cantada, dita, sussurrada, Poesia... Poesia...


POETAS À VOZ DE SEMEAR 20 CANTIGAS DE 15 POETAS PORTUGUESES
SALA MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA às 14:30M/4 ANOS

Ao longo de mais de trinta anos de vida no Porto, de uma dezena de trabalhos biblio-discográficos e de apresentações ao vivo por todo o país, “O Bando dos Gambozinos” tem desenvolvido um intenso trabalho musical sobre a poesia para crianças (e não só). Retomando registos de inéditos como de obra publicada de vários desses autores, “Poetas à voz de semear”, que agora se apresenta no CCB, constitui um roteiro seleccionado sobre essa longa caminhada.

» OFICINA “OS POEMAS … SÃO O QUÊ, AFINAL?”
SALA MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA ÀS 16:30 M/7 ANOS

Com o BANDO DOS GAMBOZINOS- Os poemas acontecem quando as palavras dançam?- Parece-me que os poemas são os sons das palavras que conversam!- Sempre pensei que um poema era uma música de letras …- Mas há poemas sem palavras? - Claro que sim! Quando os sons rimam e dançam e também falam.Os Gambozinos passam a vida a conversar e a brincar sobre estas coisas, escondidos nos seus buracos. Agora vão também fazê-lo à luz do dia com outros, grandes ou pequenos, que às vezes também pensam: OS POEMAS … SÃO O QUÊ, AFINAL?


O Bando dos Gambozinos é uma associação cultural, dedicada ao trabalho com crianças e jovens, em educação pela arte, em que esta deve servir aquela. Assim, desde a sua criação, em 1975, no Porto, que a arte e as formas artísticas vêm servindo projectos educativos próprios com e em cooperação com muitos e muitos artistas e instituições públicas e privadas afins.
Ao longo dos seus 32 anos, os olhos dos Gambozinos têm acompanhado e sido acompanhados pela cidade e pelas suas pessoas, centenas, talvez alguns milhares delas que pelas suas portas têm saído e entrado. E, sobretudo, os Gambozinos têm procurado intervir. Uma arte que sirva para ajudar gente a crescer, a ser e a agir em conjunto.
Para além das colaborações com escolas, bibliotecas, organizações as mais diversas; Para além das dezenas e dezenas de espectáculos ao vivo de Norte a Sul do país. Para além da dezena e meia de trabalhos discográficos e editoriais publicados. Para além disto, os Gambozinos mantêm um conjunto de actividades regulares de educação abrangendo áreas tão diversas quanto a
música, o xadrez, a plástica, a dança, a escrita, a matemática, a expressão dramática, a capoeira, o teatro, os estudos sobre o mundo que nos rodeia, etc., etc.,etc. E sobretudo procuram dar forma todos os dias ao “lema da casa”: tantas maneiras de ver e viver.

Parabéns Suzana, parabéns Rui e parabéns a todos os que colaboram e fazem continuar este maravilhoso projecto.
Maravilhoso também saber-vos hoje mais a sul ...

Navegando...encontrei-nos!



Livros inesquecíveis

A NOITE DE NATAL
Joana estava encarrapitada no muro. E passou pela rua um garoto. Estava vestido de remendos e os seus olhos brilhavam como duas estrelas. Caminhava devagar pela beira do passeio sorrindo às folhas do Outono. O coração de Joana deu um pulo na garganta.
- Ah! – disse ela.
E pensou:
«Parece um amigo. É exactamente igual a um amigo.» E do alto do muro chamou-o:
- Bom dia!
O garoto voltou a cabeça, sorriu e respondeu:
- Bom dia!
Ficaram os dois um momento calados. Depois Joana perguntou:
- Como é que te chamas?
- Manuel – respondeu o garoto.
- Eu chamo-me Joana.
E de novo entre os dois, leve e aéreo, passou um silêncio.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Daniel Faria

Das manhãs
Apenas levarei a tua voz

Despovoada
Sem promessas

sem barcos
E sem casas

Não levarei o orvalho das ameias
Não levarei o pulso das ramadas

Da tua voz
Levarei os sítios das mimosas
Apenas os sítios das mimosas

As pedras
As nuvens
O teu canto

Levarei manhãs
E madrugadas

Daniel Faria

sexta-feira, 20 de março de 2009

Name

Amanhã por cá...


"Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver."

Bertold Brecht

Livros inesqueciveis que ficam para sempre...



«Da próxima vez que quiseres salvar
um livro, não precisas de arriscar a vida ..!
Vou levar-te a um lugar secreto,
onde os livros nunca morrem,
e onde ninguém pode destruí-los! »

A Sombra do Vento Carlos Ruiz Zafón




Dorme, pequenino, que foste tanto. E espeta-se-me no peito nunca mais te poder ouvir ver tocar. Pai, onde estiveres, dorme agora. Menino. Eras um pouco muito de mim. Descansa, pai. Ficou o teu sorriso no que não esqueço, ficaste todo em mim. Pai. Nunca esquecerei." (p.38)


Morreste-me José Luis Peixoto

quarta-feira, 18 de março de 2009