segunda-feira, 29 de junho de 2009





Dizem que o nosso coração
é do tamanho do nosso punho fechado:
se o abrisse tanta coisa fugia.



António Lobo Antunes

domingo, 28 de junho de 2009

A Case of You

Hoje no Geométricas voltei a ouvir uma das mais belas melodias da Joni Mitchell...
" A case of you "
Infelizmente não consegui passar para o MilSoiseLuas aquela versão e tenho muita pena...

Aqui com James Taylor



e porque são outras vozes
que não deixam morrer
o que de melhor existe...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Apagar...








No passar de mais um ano
queria tanto poder apagar
o dia que te levou...

Adieu
L’adieu
N’est que vérité devant Dieu
Tout le reste est lettre à écrire
À ceux qui se sont dit adieu
Quand il fallait se retenir...

L’adieu
C’est le loup blanc dans sa montagne
Et les chasseurs dans la vallée
Le soleil qui nous accompagne
Est une lune bête a pleurer
L’adieu ressemble a ces marées
Qui viendrons tout ensevelir
Les marins avec les mariées
Le passé avec l’avenir
Oh l'adieu
Oh l'adieu










Together in all these memories
I see your smile.
All the memories I hold dear.
Darling, you know I will love you
'til the end of time.
...as estrelas levam-nos o coração

porque as estrelas

não têm o mínimo desejo de nos devorar!



as estrelas trocam-nos o coração

pelo coração de uma estrela



as estrelas levam-nos o coração

e dão-nos o coração de uma estrela ...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Amizade, amigos...aos amigos...



A amizade é um sorriso, uma mão estendida, um olhar de compreensão, um apoio seguro. É dar mais que receber; É um tesouro que vale a pena buscar e, uma vez encontrado, manter por toda a vida.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Run



Leona Lewis



Snow Patrol

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A última Colina


Urbano Tavares Rodrigues


"Deixou há muito de gostar de se ver ao espelho. E, no entanto, a imagem que ele lhe devolve, o seu espaço de estimação, quando se mira de relance na sua alta superfície irisada, junto à porta que abre para as escadas, é a de uma mulher ainda bonita, elegante de perfil quanto possível sê-lo por volta dos quarenta e cinco anos".

Começa assim "Irmã da Solidão", um dos contos do livro "A última Colina" (Edições Dom Quixote 2008).

Urbano Tavares Rodrigues é um dos nossos belíssimos contistas.
A editora está a publicar as suas obras completas, já saíram, o primeiro e o segundo volume e, para o ano, sairá o terceiro.
Ficamos melhores pessoas, depois de o ler acreditem...



Particularidade
(A pintura da capa do livro é de William Turner, e está exposta na National Gallery em Londres).

"Pavimentaram o paraíso para construir um parque de estacionamento"






É...
por vezes sinto que vivo num grande parque de estacionamento...
e vou ao reencontro dos que sempre me motivaram e inspiraram...

LIBERTANGO

Do grande Astor Piazzolla.
Tocado por Richard Galliano
este,
grande no acordeon!

O milagre da música.

A Carmina Burana
Um sopro de vida nos corações de quem a ouve....





...e mais do que música, uma lição de vida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

CAPI

Paulo Maló .... melhor o nosso Capi, o miúdo das covinhas
apostou agora no vinho...
Do deserto do Namibe para o mundo
Hoje na RTP programa 30MINUTOS lá estava ele
boa miúdo...

Kristofer Åström



Som lindo o deste Sueco

segunda-feira, 15 de junho de 2009

6º aniversário da A das Artres




Mia Couto
e
José Eduardo Agualusa
vão estar
JUNTOS
para apresentarem os novos romances

Jesusalém


e

Barroco Tropical


A sessão enquadra-se na comemoração do
6º aniversário da livraria A das Artes
e, com o apoio do Festival Músicas do Mundo.

Centro de Artes de Sines



20 Julho
18,00h.

Lovers In The Wind




There was a time when it was hard to know
Reaching out, reaching out for somewhere to go
There was a light born on the darkest day
But no one wants to know
And no one wants to try

domingo, 7 de junho de 2009

Domingo com eleições



Carrega aqui e pinta esta música
http://soytuaire.labuat.com/

Soy tu aire é
um doce ânimo para antes do tem-de-ser...
um tem-de-ser tão sem sabor
onde as equipas que jogam deixam tanto a desejar...
tantos remates ao lado...tanta desinspiração...
mas tem-de-ser porque não gosto nem quero ser confrontada com o, está lá porque deixaste...prefiro: porque o(a) escolheste, ok? Prefiro tb ter esta hipótese de lá chegar e---------fazer o que bem entender.
Mal ou bem sou responsável por alguma coisa...
de outro modo, sinto que ando cá por ver andar os já tão escassos eléctricos...
e pronto, beijos e abraços
bom resto de fim-de-semana
e divirtam-se por um bocadinho a pintar uma canção

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Song Around the World...




When the night is come and the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No I won't be afraid, No I won't be afraid
Just as long as you stand by me
And darling, darling
Stand by me, stand by me, stand by me
Won't you stand by me
Oh woo oh, stand by me, stand by me

And when the sky that we look upon
Should crumble and fall
And the mountain should crumble to the sea
I won't cry, I won´t cry, No I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me
And darling, darling
Stand by me, stand by me, stand by me
Stand by me
Oh woo oh, you oughta stand by me, stand by me
Stand by me, stand by me, stand by me
Oh woo oh, stand by me"

O Primeiro Choro



Do Sara à Sibéria passando pela floresta amazónica as margens do Ganges ou o Japão 10 mulheres distintas vivem o nascimento dos seus filhos de forma particular e única.
Uma meditação lírica sobre o milagre da vida mas também uma crítica ao progressivo afastamento entre o ser humano e a natureza.
Belíssimo documentário

A nona Arte em Beja


Começou sábado dia 30 de Maio em Beja o V festival Internacional de Banda Desenhada, que se prolongará até 14 de Junho.

Duas semanas cheias de quadradinhos, dos mais diversos estilos, temáticas, géneros, cores e proveniências.

Vinte exposições, com setenta autores de 8 países diferentes e um Mercado do Livro com obras dos autores convidados.

na mesa de cabeceira...

Por toda a obra, enquanto se assiste ao fluir dos tempos sacrificados e difíceis, ao deflagrar das misérias e fraquezas humanas, ao vasculhar das situações caricatas e ridículas, perpassam os odores do mato, o cheiro da morte, o apelo da guerra... Sente-se ainda a magia daquelas gentes diferentes e o sortilégio da terra inóspita, selvagem, rude e bela que condicionavam e faziam da vida um permanente confronto de sentimentos, um gigantesco conflito de emoções. Sobressaíam os verdadeiros homens. Sobreviviam os mais capazes, os que melhor se adaptavam, os que a sorte protegia.

Rui Alexandrino Ferreira nasceu no Lubango, Angola, em 1943.
1964 - Integra o último curso de oficiais milicianos que reuniu em Mafra a juventude do Império.
1965 - Rende, na Guiné-Bissau, um desaparecido em combate.
1970 - Frequenta o curso para capitão em Mafra, seguindo em nova comissão para a Guiné-Bissau.
1973 - Regressa a Angola em outra comissão.
1975 - Retorna a Portugal.
1976 - Estabiliza em Viseu, onde continua a residir. Rumo a Fulacunda é a sua primeira obra literária.


(e primo querido que passou as agruras da guerra, e aqui deixa o seu testemunho)...
...pois, tenho-os na mesa de cabeceira, junto a outros que me apetecem...
este, e o do tio Luís...
por tudo o que encerram só agora os vou ler...
Luís Vieira da Silva nasceu em S. Mamede de Infesta no ano de1936. Estudou em Lisboa.
Entrou para a Força Aérea Portuguesa em 1955, graduou-se como piloto em 1956 e foi colocado na aviação de caça.
Em 1962 foi nomeado para uma comissão de serviço em Moçambique no fim da qual saiu da Força Aérea, radicando-se nesse território como piloto de táxis aéreos. Em 1965 entrou na TAP e em 1969 foi qualificado comandante de avião. Nessa qualidade participou na ponte aérea África – Lisboa entre Agosto e Setembro de 1975, uma das missões que desempenhou ao longo das 20.000 horas voadas em serviço profissional. Reformou-se em 1996. Angola Terra d’Uanga é a sua primeira obra literária.



Angola Terra d’Uanga é um romance.
Trata da época em que os velhos de hoje foram jovens e tinham, como é apanágio da juventude em todos os tempos, os seus próprios sonhos, as suas alegrias, tristezas, realizações, perspectivas e frustrações.
Até que, no princípio dos anos sessenta o norte de Angola foi atacado e começou a Guerra Colonial.
A juventude portuguesa viu-se de repente em armas no meio das matas africanas e não teve mais remédio que lutar, enfrentando situações e problemas para que não estava preparada, até à queda do regime.
Quando todos os sonhos pareciam possíveis, desenvolve-se em Angola um clima de guerra civil. Em Agosto e Setembro de 1975, uma ponte aérea entre Angola e Lisboa arrancou mais de meio milhão de pessoas à fome, à miséria e à morte. Angola Terra d’Uanga é a crónica de três homens que seguiram caminhos diferentes para, no fim, se encontrarem a bordo dum voo de regresso da ponte aérea.




Dime porque tienes carita de pena
Que tiene mi niña siendo santa y buena
Cuéntale a tu padre lo que a ti te pasa
Dime lo que tienes reina de mi casa

Tu madre la pobre no se donde esta
Dime lo que tienes, dime lo que tienes
Dime lo que tienes, dime la verdad

Mi niña lola, mi niña lola
Ya no tiene la carita del color de la amapola
Mi niña lola, mi niña lola
Ya no tiene la carita del color de la amapola


Tu no me ocultes tu pena
Pena de tu corazón
Cuéntame tu amargura
Pa consolártela yo

Mi niña lola, mi niña lola
Se le ha puesto la carita del color de la amapola
Mi niña lola, mi niña lola
Se le ha puesto la carita del color de la amapola

Siempre que te miro mi niña bonita
Le rezo a la virgen que esta en la ermita
Cuéntale a tu padre lo que te ha pasao
Dime si algún hombre a ti te ha engañao
Niña de mi alma no me llores mas
Dime lo que tienes, dime lo que tienes
Dime lo que tienes, dime la verdad

Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola
Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola
Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola
Mi niña lola, mi niña lola
Mientras que viva tu padre no estas en el mundo sola

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Deliciosas bruxas...


as do ilustrador Francois Ruyer

O COPO na Livraria Trama


R. São Filipe Nery, 25B (ao Rato)

Hoje às 22h

Força "migo" tou contigo...

Sometimes...



Sometimes I believe in fate

Depois diz que não sabias...



É... a fonte está a secar...

Pois...

A nova ministra

"Quer dizer, a grande vantagem de estarmos no Poder é que, para sermos empresários, não precisamos de empreender nada. A bem dizer, nem precisamos de empresas."

— Meu querido marido, escutou o noticiário?
— Não. Há novidades importantes?
— Diz o noticiário que você deixou de ser ministro.
— Afinal, eu ainda era ministro?
— Disseram que era. Não sabia?
— Tinha uma vaga idéia. Mas acho que se enganaram, também estes jornalistas divulgam cada coisa, sabe como é: jornalismo preguiçoso...
— Mas aquilo era um comunicado oficial. E disseram claramente o seu nome. Eu não fazia ideia.
Pensei que era só empresário.
— Ai é? Saí no noticiário? Mostraram a minha foto?
— Não. Mas, diga-me lá, marido, você era Ministro de quê?
— Ministro dos Assuntos Gerais. Uma coisa assim...
Já agora, você reparou se disseram quem era o novo ministro?
— É um dos anteriores vice-ministros.
— Afinal havia mais que um?
— Havia sete vice-ministros.
— Sete? Eh pá, aquilo não era um Ministério, era um Vice-Ministério.
— Fica triste, marido?
— Bom, pá, paciência. Mais importante são os meus cargos nas 15 grandes empresas.
— Ontem, no nosso jantar, você disse que eram 35...
— Minha querida, você escutou mal. Não há, no país inteiro, 35 grandes empresas. Aliás, a maior parte dos empresários de sucesso ainda anda à procura de empresas.
— Não entendo essa matemática.
— É que, no nosso país, há mais empresários que empresas.
— Trinta e cinco...
Trinta e cinco são os nossos anos de casados. E estou tão orgulhosa de si, meu ex-ministro, você foi sempre tão ambicioso...
— Ambicioso, não. Ganancioso.
— E qual é a diferença?
— O ambicioso faz coisas. O ganancioso apropria-se das coisas já feitas por outros.
— Você apropriou-se de mim que fui feita por outros.
— Isso é verdade, cara esposa. Uma coisa é verdade: vai-me fazer falta o poder.
— O poder? Não me diga que lhe está faltar o poder, marido?
— Alto lá, falo apenas do poder político. Quer dizer, a grande vantagem de estarmos no Poder é que, para sermos empresários, não precisamos de empreender nada. A bem dizer, nem precisamos de empresas.
— Mas, marido, eu também tenho empresas, você diz que colocou uma data de empresas em meu nome.
— Tem razão, minha querida. Vou usar das minhas influências e pedir para você ser nomeada Ministra.
— Eu, Ministra? Para quê?
— Que é para, a partir da agora, você abrir empresas em meu nome.

Crónica de Mia Couto, no Página Um, 9 de Abril

terça-feira, 2 de junho de 2009

Deliciosas...





...






as ilustrações de Rute Reimão

Fonte


No sorriso louco das mães batem as leves

gotas de chuva. Nas amadas

caras loucas batem e batem

os dedos amarelos das candeias.

Que balouçam. Que são puras.

Gotas e candeias puras. E as mães

aproximam-se soprando os dedos frios.

Seu corpo move-se

pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões

e órgãos mergulhados,

e as calmas mães intrínsecas sentam-se

nas cabeças filiais.

Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado

vendo tudo,

e queimando as imagens, alimentando as imagens

enquanto o amor é cada vez mais forte.

E bate-lhes nas caras, o amor leve.

O amor feroz.

E as mães são cada vez mais belas.

Pensam os filhos que elas levitam.

Flores violentas batem nas suas pálpebras.

Elas respiram ao alto e em baixo. São

silenciosas.

E a sua cara está no meio das gotas particulares

da chuva,

em volta das candeias. No contínuo

escorrer dos filhos.

As mães são as mais altas coisas

que os filhos criam, porque se colocam

na combustão dos filhos, porque

os filhos estão como invasores dentes-de-leão

no terreno das mães.

E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,

e atiram-se, através deles, como jactos

para fora da terra.

E os filhos mergulham em escafandros no interior

de muitas águas,

e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos

e na agudeza de toda a sua vida.

E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,

e através dele a mãe mexe aqui e ali,

nas chávenas e nos garfos.

E através da mãe o filho pensa

que nenhuma morte é possível e as águas

estão ligadas entre si

por meio da mão dele que toca a cara louca

da mãe que toca a mão pressentida do filho.

E por dentro do amor, até somente ser possível

amar tudo,

e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.



(excerto do poema «Fonte», publicado em A Colher na Boca, 1961)

Herberto Helder

Poesia Toda

Lisboa, Assírio & Alvim, 1990