quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

2010 transformador para todos nós...


"Só um mundo nós queremos: o que tenha tudo de novo e nada de mundo".

Não é da luz do sol que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto sob outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre. Necessitamos não do nascer do Sol. Carecemos do nascer da Terra.

Mia Couto

x
Quero neste
Natal, armar uma
árvore, dentro do meu
coração, e nela pendurar, em
vez de presentes, os nomes de
todos os meus amigos. Os antigos e os
mais recentes. Os de perto e os de longe.
Os que vejo a cada dia, e os que raramente
encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes
ficam esquecidos. Os das horas difíceis, e os das horas
alegres. Os que sem querer magoei ou sem querer me magoaram.
Aqueles que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus
amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos os que
já passaram pela minha vida.
Especialmente os que já partiram
e que me lembro com tanta saudade.
Que o natal esteja vivo,
em cada dia do ano novo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Quando os livros ganham vida...

Tão tão bonito...

...de como ler
e ouvir histórias os
inspira...

os acrescenta,
os torna especiais criadores de tamanha beleza...





penso que não é a primeira vez que o deixo no mil sois e luas...
deixá-lo-ei aqui sempre que nos cruzarmos ...

Jason Collett

Vem do frio: Jason Collett é canadiano e faz parte de uma banda chamada Broken Social Scene. Começou a escrever músicas ainda muito novo, para se abstrair da vida de todos os dias.
Ainda bem!

Aqui com Feist



sábado, 19 de dezembro de 2009



fotos Maria Joyce

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

e não é?...

Um Natal assim, revigorava!



Com o frio que está, era ouro sobre azul, hmmmmm?...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

VIRGINIA




Virginia O'Hanlon, de oito anos de idade, escreveu uma carta ao editor do jornal Sun de Nova Iorque e a resposta foi-lhe dada sob a forma de um editorial não assinado em 21 de Setembro de 1897. O trabalho do jornalista Francis Pharcellus Church tornou-se no editorial mais vezes publicado da história do jornalismo, tendo aparecido em dúzias de línguas, em livros, filmes, outros editoriais, posters e selos.

«Querido editor: Tenho oito anos. Alguns dos meus amiguinhos dizem que o Pai Natal não existe. O papá diz-me: “Se vires no “The Sun” é porque existe.” Por favor diga-me a verdade; o Pai Natal existe?»
VIRGINIA O'HANLON
115 WEST NINETY-FIFTH STREET


VIRGÍNIA, os teus amiguinhos estão enganados. Foram afectados pelo cepticismo desta época céptica. Não acreditam senão naquilo que vêm. Pensam que não existe nada que não possa ser apreendido pelas sua pequenas mentes. Todas as mentes, Virgínia, quer pertençam a homens quer pertençam a crianças são pequenas. Neste grande mundo que é o nosso o homem é simplesmente um insecto, uma formiga, medido em nome do seu intelecto no mundo sem limites em seu redor, é um vulgar insecto quando é medido pela sua capacidade de abarcar a integralidade da verdade ou do conhecimento.

Sim, VIRGÍNIA, o Pai Natal existe. Existe como na realidade existem o amor, a generosidade e a devoção e tu sabes que eles existem e dão à tua vida o máximo de beleza e alegria. Mas como seria horroroso o mundo se não houvesse Pai Natal. Seria tão horroroso como se não existisse nenhuma Virgínia. Não haveria fé infantil nem poesia nem romance para tornar tolerável esta existência. Não teríamos alegria a não ser na razão e na visão. A luz eterna com que a infância enche o mundo extinguir-se-ia.

Não acreditar no Pai Natal! É a mesma coisa que não acreditar nas fadas! Podes pedir ao teu papá que contrate homens para vigiar todas as chaminés na véspera de Natal para apanharem o Pai Natal, que mesmo que eles não o consigam ver o que é que isso provaria? Ninguém vê o Pai Natal, mas isso não é sinal de que ele não exista. As coisas mais reais do mundo são as que nem as crianças nem os homens podem ver. Alguma vez viste as fadas a dançar na relva? Claro que não. Mas isso não prova que elas não existam. Ninguém pode conceber ou imaginar todas as maravilhas que não são vistas nem visíveis no mundo.

Podes partir ou desmanchar a roca de um bebé e ver o que faz barulho lá dentro, mas existe um véu que cobre o mundo invisível, que nem o homem mais forte nem a força reunida de todos os homens fortes que alguma vez existiram consegue rasgar. Apenas a fé, a imaginação, a poesia, o amor, o romance podem afastar essa cortina e ver a beleza sobrenatural e a glória que estão para além dela. E isso é tudo real? Ah VIRGÍNIA, em todo este mundo não há nada mais real e permanente.

Não haver Pai Natal! Santo Deus! Ele vive e viverá para sempre. Daqui a mil anos, Virgínia, não, daqui a dez vezes dez mil anos, ele continuará a alegrar o coração das crianças.

Li esta história há muito tempo, ainda em África, e nunca me esqueci dela...
procureia-a, e cá está ela, acabadinha de chegar do "Um quarto de fadas"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um livro delicioso


"Burros" de Adelheid Dahimène e Heidi Stöllinger editado pela Orfeu Negro conta a história de dois burros apaixonados e teimosos...
e mais não digo,
apenas que o vou oferecer no Natal,
a quem sabe muito
e o merece...

AMI 25 ANOS




A AMI fez 25 anos a 5 de Dezembro


Fernando Nobre, Presidente da AMI
lançou mais dois livros, imprescindíveis.
Para quem, como eu, por ele nutre
admiração, admiração, admiração.
Aqui ficam...

para quem nunca o leu ou quer saber melhor de quem falo
visite




Ilustração Monica Carretero

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

e não é?

Dar o exemplo não é a melhor maneira de orientar alguém, mas sim a única!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Exemplo de vida são


ilustração deliciosa de Rute Reimão

os 50 anos de vida em comum dos meus pais.
PARABÉNS meus queridos!

Família LINDO LINDO LINDO

Prodigy está feito... e confesso nem doeu assim tanto...foi ontem...
Custou até os deixar no pavilhão Atlântico.
A espera foi descontraída na Fnac e na Bertrand, ali mesmo ao pé, que para longe não consegui ir...
e não sei se sugestionada pelas emoções do momento, se pela proximidade do dia que se aproximava...
(mais um ano somado aos 49 vividos em Família dos meus queridos pais, exemplo inquestionável de como o amor o respeito e a amizade tudo ultrapassam tudo vencem )

Talvez por isso dizia eu, peguei num livro que me chamou a atenção pelo título, pelo tamanho, pela beleza da foto na capa



abri-o ao meio mais ou menos e
surpresa,
uma foto maravilhosa da família gigante,
os três pequeninos o pai e a mãe...
Ricardo Cristina parabéns, está linda a família...
com cuidado vi todo o livro e
parabéns Patrícia
lindas, tu e a Laurinha tb...


fotos de Isabel Pinto
de sensibilidade única lançado em Novembro deste 2009.


“Não há formulações científicas, estritamente teóricas e racionais, que consigam uma real aproximação ao milagre da pele que respira, de uns olhos sorridentes ou marejados, de umas mãos calejadas, do abraço de uma mãe ao seu filho, da incrível vulnerabilidade de uma cria, humana ou animal. O mergulho por que tanto ansiava consegui-o através da lente da minha máquina fotográfica. Há 16 anos, larguei o conforto e a segurança da carreira de professora de liceu e investi tudo, investi-me toda, na fotografia. Hoje, muitos milhares de fotografias depois, revejo os rostos, os corpos, as árvores, os desertos, os mares, as construções do melhor da humanidade que captei em filme e verifico que é, ainda e sempre, o meu deslumbramento inicial que conduz o meu olhar”, afirma Isabel Pinto.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A mítica canção de Bob Dylan como hino da cimeira de Copenhaga







I've stumbled on the side of twelve misty mountains,
I've walked and I've crawled on six crooked highways,
I've stepped in the middle of seven sad forests,
I've been out in front of a dozen dead oceans,
I've been ten thousand miles in the mouth of a graveyard

domingo, 6 de dezembro de 2009

À procura da Terra do Nunca

Eduardo Sá,
Psicólogo, psicanalista e professor

Texto de
Cláudia Gameiro
na integra porque sim... porque gosto muito de Eduardo Sá!

Tem o sorriso de uma criança. Comanda as suas acções com a emoção, sem nunca esquecer a razão. É polémico e mediático, mas diz usar a mediatização com os pés bem assentes no chão. A voz é baixa, calma e ponderada. Sente-se privilegiado por ter vivido o 25 de Abril e testemunhado a paixão “de um povo a chorar por uma revolução”. Envolve-se nos projectos com convicção e intensidade, ainda que tenha dificuldade em coordenar todas as actividades que desempenha. Não obstante, Eduardo Sá nunca perdeu uma festa de aniversário, uma actividade dos filhos. São quatro, já crescidos, e referência constante nas suas obras. Diz que foram eles que o “educaram” e que o corrigiram nas “tolices” que lhe ensinaram na Universidade. Considera, aliás, que nunca deixou “de ser criança”. Talvez por isso, o seu livro favorito seja o Peter Pan e o filme mais marcante À Procura da Terra do Nunca.

Eduardo Sá nasceu em Leiria, em 1962. Hoje é psicólogo, psicanalista e professor de Psicologia clínica no Instituto Superior de Psicologia Aplicada em Lisboa e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, onde se formou. Desde muito cedo começou a colaborar em diversas publicações, tendo percorrido as revistas Xis, Adolescentes, Pais, a Notícias Magazine do Diário de Notícias ou o jornal Público. Logo percebeu “que era mais fácil escrever uma tese do que um artigo que toda a gente pudesse ler”. Aprendeu assim a ser sintético. Aos artigos seguiram-se os livros, com títulos tão característicos como Más Maneiras de Sermos Bons Pais, Crianças para Sempre ou A vida não se aprende nos livros.

As obras salientam-se pela irreverência e as afirmações provocatórias sobre o tratamento das crianças. Numa afirma ser “recomendável que os alunos ousem ser insolentes para com os seus professores”; noutra, que “atrás de uma criança difícil está sempre um adulto em dificuldades”.

Os leigos chamam-no de liberal, os colegas acusam-no de ser sensacionalista e demasiado simplista. Da televisão, meio que também conquistou com o programa Livro de Reclamações, surgem retratos anedóticos sobre o seu modo de estar e de falar. A tudo isto Eduardo Sá responde ter aprendido “que a inveja não é um sentimento mau”.

Estudantes gostam
Os alunos adoram-no, citando as suas frases mais características. “Tão natural como a sua sede” costuma ser uma delas. Valorizam o tratamento de igual para igual, a coragem de aparecer, de ter tempo para tudo, de discutir se a nota final é ou não justa. Os anfiteatros enchem-se da frente para trás e cada um procura ver quem consegue manter o silêncio por mais tempo. Muitos já fizeram a cadeira, mas continuam a assistir às aulas.

Olham-no com carinho e reverência. Admitem, porém, que o professor não sabe dizer “não”, acabando por ter pouca disponibilidade para partilhar um conhecimento que se torna “insubstituível”. Nos momentos em que está, entrega-se a 100 por cento. Mas quer tanto abraçar o mundo que não consegue. Eduardo Sá sorri e cora ao lembrar os alunos.

O escritório, na clínica “Bebés e Crescidos”, em Coimbra, está recheado de livros e revistas. Na secretária, um pote de chocolates enche os olhos de qualquer petiz que por ali passe. Mesmo o cabelo já grisalho, não lhe retira o rosto sorridente de um garoto de dez anos. Afirma adorar dar aulas, mas detesta um ensino superior baseado em relações de poder. Foi vice-reitor da Universidade Internacional da Figueira da Foz. Acredita ser boa pessoa e sente-se mal quando acha que falhou nesse intuito. A filha mais velha, Sofia, perguntou-lhe um dia porque razão a lua estava no céu. Eduardo Sá não soube responder. O facto não traumatizou a jovem. O pai, mesmo sendo hoje seu professor, continua o mesmo de sempre, mais “galinha” do que a mãe. Um óptimo narrador de histórias, que esteve sempre presente, que lhes deu liberdade de pensamento e se tornou um exemplo de luta por aquilo em que se acredita.

Quando perguntam ao psicanalista pelo mundo, diz que o vê “a cores” e que “tem vindo a tornar-se um lugar cada vez melhor”. O futuro “é sempre um local mais bonito” para quem não gosta de olhar o passado, acreditando no que as crianças trazem de novo. Porque elas, afinal, “não são o melhor do mundo”, mas o melhor “de nós mesmos”. Por isso continua a aparecer, comentando casos tão polémicos como o da pequena Esmeralda ou o da austríaca Natasha Kampush. Eduardo Sá destaca-se também pela investigação no âmbito da psicologia do feto e do bebé.


“O bem-estar da criança é essencial”, comenta Catarina Neves, ex-aluna do professor. Quando este ensinava a matéria, parecia estar a contar uma história, chegando a finalista de Psicologia de Coimbra a sair da Latada directamente para as suas aulas. Muitas alunas eram apaixonadas por ele. Entravam, afinal, na Terra do Nunca, procurando por entre os alicerces da Faculdade aquela irreverência de quem vive a vida pela primeira vez e quer ver satisfeitos os seus porquês e os seus caprichos. Onde basta ter um pensamento bom, um mundo feito de arco-íris, para conseguir voar. E seria tão bom ser criança para sempre…




sábado, 5 de dezembro de 2009

MADRUGADA

Uma banda Norueguesa espantosa que assina em Português


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Estou que nem posso...

16 anos,
aos meus olhos um menino, apesar da barba,e duns bons metro e 85...
um certo ar "maduro" que quase leva ao engano, mas a ternura no olhar não mente...
ainda é o meu menino
e há tão pouco tempo,
brilhavam-lhe os olhos quando ouvia Ewen Mcgregor em Moulin Rouge por ex...



...quer ir agora ao concerto dos Prodigy



Se compreendo?
Claro!
Estou é, que nem posso...

Uma estrela por cada um ...



Os verdadeiros amigos são os que estão, mesmo quando não estão, e a simples lembrança do rosto de cada um deles basta para me fazer sorrir e viver melhor...

FESTAS FELIZES


Já cheira a NATAL...





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Quando uma árvore morre...

É com grande desgosto que anuncio a morte próxima da minha palmeira, afectada por fitomonas (uma espécie de cancro das palmeiras, coqueiros e bananeiras) que está a afectar árvores por todo o mundo. Nunca pensei que esta fosse afectada...mas já está.Tinha 40 anos e estava espectacular. Estou pior que triste. A minha casa já não será a mesma.

Quando uma árvore morre ficamos todos mais pobres...
quando a árvore que morre faz tão parte da nossa vida, dos nossos encontros e reencontros, momentos de partilha de afectos únicos entre família e amigos a perda é tão grande...


Serena... De pé
Assim se vai a nossa árvore dos abraços...

A exemplo das árvores quero “morrer de pé,”

Seguindo ( respeitando ) inexoravelmente

A trajectória do prosseguir da “vida”...

Uma árvore é muito mais que matéria inerte. É uma amante, um espelho. Uma parcela de história e de esperança,

por isso

"Quando uma árvore é cortada, renasce noutro lugar.
Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz."
disse Tom Jobim

Luís João


a tua Palmeira renascerá com a "Floresta dos Livros"

pelo menos aí, na hora do conto, com toda a certeza

RENASCERÁ !

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Trabalho de grupo...

muito muito fixe sim senhor...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mensagens Comuns


A Raposa Azul

8 Histórias, 8 países,
diferentes continentes,
as mesmas preocupações,
alegrias, sonhos e desejos...

De entre elas, uma Angolana
MANEIRAS DE SER
cuja mensagem é comum
à da tão conhecida Inglesa
OS TRÊS PORQUINHOS

8 histórias agrupadas num pequeno livro
que me foi oferecido por Ana Maria Magalhães
Visitou-nos hoje e com ela veio o sol
Gostámos muito

Obrigada

I am sailing

Hoje bem cedo ouvi,
acompanhou-me todo o dia
e fez-me viajar-----------





viajando





cheguei aqui...




e como adorei aqui chegar :)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

OS POLÍGONOS E A RIMA

O triângulo é a forma
Da base do meu chapéu,
Tem um vértice tão alto
Que chega até ao céu.
__
O meu quadrado é
Um polígono regular,
Vamos lá olhar para ele
E os seus lados contar.
__
Eu vejo a forma de um rectângulo
No quadro, na mesa e na estante,
Saber como ele é
É muito importante.
__
De frente, a minha casa é um pentágono
Lados e vértices são cinco,
No seu jardim corro e salto
E com o meu cãozinho brinco.
__
O meu hexágono tem seis lados
É laranjinha às bolinhas.
É a forma da minha mesa,
Onde como batatinhas.
__
O meu círculo é redondinho,
Redondinho como o Sol,
Vejo-o em Monchique,
Sines e Almorol.

Margarida

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento
exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade)

Recordar da melhor forma...

uma das bandas que me ensolarava a alma sonhadora de menina...

Wind of Change - Scorpions e Orquestra Filarmónica de Berlim




E a preferida

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um sábado com...










o pai a mãe,

castelos, reis, biscoitos,

contos, castanhas quentinhas

lanche e muita animação...



e no Portugal em Directo



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Obstáculos

Vou caminhando por uma vereda.
Deixo que os meus pés me levem.Os meus olhos pousam-se nas árvores,
nos pássaros, nas pedras.
No horizonte recorta-se a silhueta de uma cidade.
Fixo nela o olhar para a distinguir bem.
Sinto que a cidade me atrai.Sem saber como,
dou-me conta de que nesta cidade posso encontrar tudo o que desejo.
Todas as minhas metas, os meus objectivos e os meus logros.
As minhas ambições e os meus sonhos estão nesta cidade.
Aquilo que quero conseguir, aquilo de que necessito, aquilo
que eu mais gostaria de ser, aquilo a que aspiro,
aquilo que tento, aquilo pelo que trabalho,
aquilo que sempre ambicionei,
aquilo que seria o maior dos meus êxitos.
Imagino que tudo está nessa cidade.
Sem duvidar, começo a caminhar até ela.
Pouco depois de começar a andar,
a vereda põe-se a subir pela encosta acima.
Canso-me um pouco, mas não importa.
Sigo.
Avisto uma sombra negra, mais adiante, no caminho.
Ao aproximar-me, vejo que uma enorme vala impede a minha passagem.
Receio… Duvido.
Desgosta-me não conseguir alcançar a minha meta facilmente.
De todas as maneiras, decido saltar a vala.
Retrocedo, tomo impulso e salto…Consigo passá-la.
Recomponho-me e continuo a caminhar.
Uns metros mais adiante, aparece outra vala.
Volto a tomar impulso e também a salto.
Corro até à cidade: o caminho parece desimpedido.
Surpreende-me um abismo que detém o meu caminho.
Detenho-me.
É impossível saltá-lo.Vejo que num dos lados há tábuas,
pregos e ferramentas.
Dou-me conta de que estão ali para construir uma ponte.
Nunca fui habilidoso com as minhas mãos...penso em renunciar.
Olho para a meta que desejo…e resisto.
Começo a construir a ponte.
Passam horas, dias, meses.
A ponte está feita.
Emocionado, atravesso-a e ao chegar ao outro lado… descubro o muro.
Um gigantesco muro frio e húmido rodeia a cidade dos meus sonhos…
Sinto-me abatido…Procuro a maneira de o evitar.
Não há forma.Tenho de o escalar.
A cidade está tão perto…
Não deixarei que o muro impeça a minha passagem.
Proponho-me trepar.
Descanso uns minutos e tomo ar…
Rapidamente vejo,de um lado do caminho,
uma criança que olha para mim como se me conhecesse.
Sorri-me com cumplicidade.
Faz-me vir à memória como eu próprio era… quando criança.
Talvez por isso me atrevo a expressar em voz alta a minha queixa.
— Porquê tantos obstáculos entre o meu objectivo e eu?
A criança encolhe os ombros e responde-me.
— Porque mo perguntas a mim?
Os obstáculos não existiam antes de tu chegares…
Foste tu que trouxeste os obstáculos.



Jorge Bucay

Contos para pensar

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Desgosto





Há coisas que, ao perdê-las parece, nos arrancam um bocado!

E é mesmo assim que me sinto, como se me faltasse um bom pedaço,

um pedaço que adorava, um pedaço que tanto me ajudou a ultrapassar dias difíceis, dedicada que estava a captar momentos...

esquecida de tudo, aquecida pela companhia...
partilha, que me foi mantendo apaziguada com a vida e devolvendo a tão desejada paz interior.

Não me conformo pois, de ter oferecido, assim de uma vez só,
duas baterias, um carregador, um cabo, uma pen e a minha pequena "tão grande para mim" Kodak.

O pior, é saber que a deixei pendurada nas costas daquela cadeira, e que apesar de ter percebido que quase me avisaram, não o fizeram...que ao menos façam o obséquio de apagar as fotos e ser tão felizes com ela como eu fui, (se acharem que o merecem).

Claro que, não conto que leiam o que aqui escrevi, mas pelo menos,
desabafei.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

e não é?...

" O processo de socialização, aquilo a que chamamos educar, ou amadurecer, ou crescer, consiste precisamente em podar as florescências fantasiosas, em fechar as portas do delírio, em amputar a nossa capacidade de sonhar acordados; e ai daquele que não saiba selar essa fissura com o lado de lá, porque provavelmente será considerado um pobre louco.”


Rosa Montero

Nuvem

Encostei-me a ti,
sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo que eras nuvem,
depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso,
e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar
quando caí.

Cecília Meireles

Dividir luzes de Mia...

“Olhos,

Vale tê-los,

Se, de quando em quando,

Somos cegos

E o que vemos

Não é o que olhamos,

Mas o que o nosso olhar semeia no mais denso escuro


Vida

Vale vivê-la

Se de quando em quando

Morremos

E o que vivemos

Não é o que a vida nos dá

Nem o que dela colhemos

Mas o que semeamos em pleno deserto.”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O S. Martinho na BMSC com Histórias, castanhas e vinho...





Reparem no cachet das contadoras...
garrafinha de vinho, queijinho, linguiça e pão Alentejano hmmm?
Foi bom voltar à casa onde comecei a cenografar a hora do conto
e a contar histórias
foi bom rever colegas e amigos
Obrigada pela ternura e pelo carinho nesta noite tão bem passada

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Porque amanhã e depois há histórias...





A história de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar


Kengah estendeu as asas para levantar voo, mas a espessa onda foi mais rápida e cobriu-a inteiramente. Quando veio ao de cima, a luz do dia havia desaparecido e, depois de sacudir a cabeça energicamente, compreendeu que a maldição dos mares lhe obscurecia a visão.

Kengah, a gaivota de penas cor de prata, mergulhou várias vezes a cabeça, até que uns clarões chegaram às pupilas cobertas de petróleo. A mancha viscosa, a peste negra, colava-lhe as asas ao corpo, e por isso começou a mexer as patas na esperança de nadar rapidamente e sair do centro da maré negra.

Com todos os músculos contraídos pelo esforço, chegou por fim ao limite da mancha de petróleo e ao fresco contacto com a água limpa. Quando, de tanto pestanejar e mergulhar a cabeça, conseguiu limpar os olhos, olhou para o céu e não viu mais que algumas nuvens que se interpunham entre o mar e a imensidade da abóbada celeste.

A mancha negra. A peste negra. Enquanto esperava o fatal desenlace, Kengah amaldiçoou os humanos.
- Mas não todos. Nada de injustiças – grasnou ela debilmente.
Desesperada perante a ideia de uma morte lenta, sacudiu-se toda e verificou com espanto que o petróleo não lhe tinha colado as asas ao corpo.

- Talvez tenha ainda uma possibilidade de sair daqui, e quem sabe se, voando alto, muito alto, o sol não derreterá o petróleo – grasnou Kengah.
Kengah bateu as asas energicamente, encolheu as patas, ergueu-se uns dois palmos e caiu de borco na água.
À quinta tentativa, Kengah conseguiu levantar voo.
Batia as asas com desespero, pois o peso da camada de petróleo não lhe permitia planar. Bastaria uma só pausa para ir por ali abaixo. Por sorte, era uma gaivota jovem e os músculos respondiam em boa forma.

Ganhou altura. Sem deixar de mover as asas, olhou para baixo e viu a costa que se perfilava apenas como uma linha branca. Viu também alguns barcos movendo-se como diminutos objectos sobre um pano azul. Ganhou mais altura, mas os esperados efeitos do sol não a atingiam. Talvez os seus raios produzissem um calor muito fraco, ou então era a camada de petróleo que era excessivamente espessa.

Numa desesperada tentativa de recuperar altura, fechou os olhos e bateu as asas com as suas últimas energias. Não soube durante quanto tempo manteve os olhos fechados, mas quando os abriu ia a voar sobre uma alta torre que ostentava um cata-vento de ouro.
- São Miguel! – grasnou ela ao reconhecer a torre da igreja de Hamburgo.
As asas negaram-se a continuar o voo.

Um gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda, ronronando e meditando acerca de como se estava bem ali, recebendo os cálidos raios pela barriga acima, com as quatro patas muito encolhidas e o rabo estendido.

No preciso momento em que rodava preguiçosamente o corpo para que o sol lhe aquecesse o lombo ouviu o zunido provocado por um objecto voador que não foi capaz de identificar e que se aproximava a grande velocidade. Atento, deu um salto, pôs-se de pé nas quatro patas e mal conseguiu atirar-se para o lado para se esquivar à gaivota que caiu na varanda.
Era uma ave muito suja. Tinha todo o corpo impregnado de uma substância escura e malcheirosa.

Zorbas aproximou-se e a gaivota tentou pôr-se em pé arrastando as asas.
- Não foi uma aterragem muito elegante – miou.
- Desculpa. Não pude evitar – reconheceu a gaivota.
- Olha lá, tens um aspecto desgraçado. Que é isso que tens no corpo? E que mal que cheiras! – miou Zorbas.
- Fui apanhada por uma maré negra. A peste negra. A maldição dos mares. Vou morrer – grasnou a gaivota num queixume.

- Morrer? Não digas isso. Estás cansada e suja. Só isso. Porque é que não voas até ao jardim zoológico? Não é longe daqui e lá há veterinários que te poderão ajudar – miou Zorbas.
- Não posso. Foi o meu voo final – grasnou a gaivota numa voz quase inaudível, e fechou os olhos.
- Não morras! Descansa um bocado e verás que recuperas. Tens fome? Trago-te um pouco da minha comida, mas não morras – pediu Zorbas, aproximando-se da desfalecida gaivota.

Vencendo a repugnância, o gato lambeu-lhe a cabeça.
- Olha, amiga, quero ajudar-te mas não sei como. Procura descansar enquanto eu vou pedir conselho sobre o que se deve fazer com uma gaivota doente – miou Zorbas preparando-se para trepar ao telhado.
Ia afastar-se na direcção do castanheiro quando ouviu a gaivota a chamá-lo.

- Vou pôr um ovo. Com as últimas forças que me restam vou pôr um ovo. Amigo gato, vê-se que és um animal bom e de nobres sentimentos. Por isso, vou pedir-te que me faças três promessas. Fazes? – grasnou ela, sacudindo desajeitadamente as patas numa tentativa falhada de se pôr em pé.
- Prometo-te o que quiseres. Mas agora descansa – miou ele compassivo.
- Não tenho tempo para descansar. Promete-me que não comes o ovo – grasnou ela abrindo os olhos.
- Prometo que não te como o ovo – repetiu Zorbas.
- Promete-me que cuidas dele até que nasça a gaivotinha.
- Prometo que cuido do ovo até nascer a gaivotinha.
- E promete-me que a ensinas a voar – grasnou ela fitando o gato nos olhos.

Então Zorbas achou que aquela infeliz gaivota não só estava a delirar como estava completamente louca.
- Prometo ensiná-la a voar. E agora descansa que vou em busca de auxílio – miou Zorbas trepando de um salto para o telhado.
Kengah olhou para o céu, agradecendo a todos os bons ventos que a haviam acompanhado e, justamente ao exalar o último suspiro, um ovito branco com pintinhas azuis rolou junto do seu corpo impregnado de petróleo.

Para saber o fim desta ternura, ler do escritor chileno Luís Sepúlveda “História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar”

e não é?...

“ Vê-se mais claro, por vezes, naquele que mente do que no que fala verdade. A verdade cega, como a luz. A mentira, pelo contrário, é um belo crepúsculo que põe cada objecto em realce."

Albert Camus

domingo, 8 de novembro de 2009

Que o campo seja teu

"O Campo"


Quis agarrar a ti o mar
Quis agarrar a ti o sol
Quis que o mar fosse maior
Quis que o mar tocasse o sol
Quis que a luz entrasse em nós
Inundasse o lado frio
Quis agarrar a tua mão
E descer o nosso rio

Quero agarrar a ti o céu
Quero agarrar a ti o chão
Quero que a chuva molhe o campo
E que o campo seja teu
Para que eu cresça outra vez
Quero agarrar em ti raiz
Quero agarrar a ti o corpo
E eu quero ser feliz...

Quis agarrar a ti o barco
Quis agarrar a ti os remos
Que usamos nas marés
Quando as ondas são de ferro
Quero agarrar a ti a luta
Quero agarrar a ti a guerra
Quero agarrar a ti a praia
E o sabor de chegar a terra

Porque o mar tocou no sol
Inundou o lado frio
Porque o sol ficou em nós
E desceu o nosso rio
Por isso dá-me a tua mão
Não largues sem querer
Quero agarrar a ti o mar
Eu quero é viver.

Se tens medo da dor
Vem ver o que é o amor
Se não sabes curar
Vem ser o que é amar

Quero ver-te amanhecer.



de Tiago Bettencourt

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Madassa

Madassa não sabia ler nem escrever.
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.

Na cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Na cabeça de Madassa habitava apenas o medo, escuro e negro, causado pelos barulhos da guerra, e pelos mortos, muitos mortos.

Na cabeça de Madassa vivia uma raiva imensa cheia de porquês.
Como se as perguntas fossem garras dilacerantes.
Na cabeça de Madassa pairava um nevoeiro de tristeza.
Tão espesso que ele não conseguia lembrar-se sequer da cara do irmão ou da irmã, cujo paradeiro ninguém conhecia.

Havia dias em que, na cabeça de Madassa morava a mesma fome que lhe enchia o ventre. A negrura do medo, as garras da raiva, o nevoeiro da tristeza – e, em certos dias, a fome – ocupavam toda a cabeça de Madassa.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para as palavras.

A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa.
Quanto tinha tempo, lia-lhe histórias que ele sozinho não conseguia ler.
Lia-lhe a história do Pequeno Polegar, que tivera tanto medo na floresta.
E o medo do Polegarzinho passeava pela cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história de Martinho , que estava sempre irritado.
E a irritação do rapaz era igual à que existia na cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história da Menina dos Fósforos.
E a tristeza da Menina chorava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pedro e a Lua, do menino que queria fazer florir a terra inteira com plumas de pássaro.
E as plumas dançavam na cabeça de Madassa.

E, entretanto, o que acontecia na cabeça de Madassa?
O medo do Polegarzinho deixava palavras para exprimir o medo.
A raiva de Martinho deixava palavras para exprimir a raiva.
A tristeza da Menina dos Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pedro e a Lua deixava palavras que davam vontade de dançar.

Certa manhã, as palavras, fortemente agitadas, não quiseram ficar na cabeça de Madassa.
Então, o menino pegou num caderno, numa caneta, e, embora desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:

Madassa medo
Madassa raiva
Madassa tristeza

Madassa no capim
Madassa ao vento
Madassa na água

Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde

Madassa galo tigre
Madassa sol

─ Um poema!
─ exclamou a professora.
─ Escreveste um poema!

Então escrever é isto!
Pegar nas palavras das histórias e transformá-las nas palavras de Madassa.
Mas é preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.

Madassa começou a ler.
E a escrever também.
Quanto mais lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais vontade tinha de ler.
Era um círculo mágico.

Madassa que não sabia ler nem escrever,
enchia agora cadernos e mais cadernos.
Talvez um dia escrevesse um livro.

Madassa escritor.

Michel Séonnet

Uma casa vazia arrefece...








Cantinho quente na serra
onde adoro estar
lugar de afectos
de vida família amigos...
lugar onde apetece ficar
e de onde se vem o mais tarde possível
porque se tem que vir...