sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mother, did it need to be so high?

Mother



Sim tem que ser bem alto
e muitas muitas vezes

para conseguir largar-te ao vento
e deixar-te voar

bem alto muitas muitas vezes
e a cantar para espantar o medo...

Guadalajara



MARATON DE CUENTOS DE GUADALAJARA

Em 1998 esttive lá e foi um encanto

Toda a cidade vive de e para as Histórias durante 3 dias

Este ano será a XV Maratona de Contos de Guadalajara e está quase quase...

nos dias 12, 13 e 14 de Junho de 2009

Histórias



Filme realizado em 2006 durante um festival de contos realizado no Rio de Janeiro...

o acto de contar...
a mensagem das histórias
em diferentes línguas,
e o entrelaçar de diferentes culturas

quinta-feira, 28 de maio de 2009

DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR

Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que
se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha
língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor,
como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do
deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação.


VERGÍLIO FERREIRA

Hmmmm, amei relembrar...





Para os amigos e para quem
por aqui passeia...
Walk on air
dos T`Pau

Palavras...

"...o mais interessante no processo da comunicação é permitir-nos tomar consciência de que as palavras que saem do nosso corpo, seja na forma escrita, falada ou cantada, voam pelo espaço carregadas de ecos de outras vozes que já antes de nós as tinham pronunciado. Viajam pelo ar banhadas pela saliva de outras bocas, pelas vibrações de outros ouvidos, pelos batimentos de milhares de corações agitados. Esgueiram-se até ao centro da memória e aí ficam, quietinhas, até um novo desejo as reanimar e as carregar de energia amorosa. Essa é uma das qualidades das palavras que mais me comove: a sua capacidade para transmitir amor. As palavras, tal como a água, são condutoras maravilhosas de energia. A que maior poder transformador tem é a amorosa."


Laura Esquivel (Tão veloz como o desejo)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Velho e o Mar

Aleksandr Petrov ganhou, em 2000,
o Oscar da melhor curta de animação

O Velho e o Mar
Ernest Hemingway.



Ernest Hemingway

O VELHO E O MAR



Holly Ormrod

terça-feira, 26 de maio de 2009

Cego


Cego é o que fecha os olhos
e não vê nada.
Pálpebras fechadas,
vejo luz.
Como quem olha o sol de frente.
Uns chamam escuro ao crepúsculo
de um sol interior.
Cego é quem só abre os olhos
quando a si mesmo se comtempla.
Mia Couto
Maputo 2004 (in Idades Cidades Divindades)

You Are My Sister

O Fazedor de luzes





ou "tempo para colher estrelas e semeá-las"...



Estou deitada, debaixo do céu estreloso, lembrando meu pai. Nesse há muito tempo, nós nos dedicávamos, à noite, a apanhar frescos. O céu era uma ardósia riscada por súbitos morcegos, desses caçadores de perfumes.
_ Pai, eu quero ter uma estrela!
_ Estrela, não: é muito custosa de criar.
Eu insistia. Queria possuir estrela como as outras meninas tinham brinquedos, bonecos, cachorros. Aqui, no rés da terra, eu não podia ter nada. Ao menos, lá no infirmamento, se autenticassem minhas posses.
_ Mas, pai: o senhor diz que faz criação de estrelas.
_ Fazia tive de entregar todas. Eram dívidas, paguei com estrelas.
_ Eu sei que sobrou uma.
Meu pai não respondia nem sim nem talvez. Era um homem vagaroso e vago, sabedor de coisas sem teor. Dedicava-se a serviços anónimos, propícios a nenhum esforço. Dizia:
Sou como o peixe, ninguém me viu transpirar.
e me alertava: veja o musgo, que é o modo do muro dar planta.
Quem o rega, quem o aduba? Nada, ninguém. Há coisas que só paradas é que crescem.
- É, minha filha: aprenda com o mineral. Nimguém sabe tanto e é tão antigo como pedra.
Cuidava-me sozinha, orfã eu, viúvo ele. Ou seria ele o orfão, sofrendo do mesmo meu parentesco, o falecimento de minha mãe? Perguntas dessas são incorrigíveis. Quem sabe é quem nunca responde. Na realidade, meu nascimento foi um luto para meu pai. Minha mãe trocou de existir em meu parto. Me embrulharam em capulana com sangues todos misturados, o meu novinho em gota e o dela já em cascata para o abismo. Esse sangue transmexido foi a causa, dizem, de meu pai nunca mais compridar olho em outra mulher. Em minha toda vida, eu conheci só aquela exclusiva mão dele, docemente áspera como a pedra. Aquele côncavo de sua mão era minha gruta, meu reconchego. E mais um agasalho: as estranhas falas com que ele me nevoava o adormecer.
_ Você escuta os outros se lamentarem de seu pai.
_ Não escuto, não -menti.
_ Dizem eu não faço nada na vida, não faço nem ideia.
E prosseguia, se perdoando:
_ Mas eu, minha filha, eu existo mas não sei onde. Nessa bruma que fica lá, depois do estrangeiro, nessa bruma é que você me vai encontrar a mim, exacto e autêntico. Lá fica minha residência, lá eu sou grande, lá sou senhor, até posso nascer-me as vezes que eu quiser. eu não tenho um aqui.
_ Não diga assim, pai.
_ Havia de ver, minha filha, lá eu não sou como neste lado: não cedo conversa a um qualquer. pois, nesse outro mundo, filhinha, eu tenho o mais requerido dos serviços: sou fabricador de estrelas. Sim, faço estrelas por encomenda.
_ Verdade pai?
_ Verdade filha. Pergunte a Deus, sou até fornecedor do Paríso.
Voltámos ao quintal, deitávamos a assistir ao céu. Eu já adivinhava, meu velho não suportava silêncio. E, num gesto amplo, ele cobria o inteiro presépio do horizonte.
_ Tudo isso fui eu que criei.
Eu estremecia, gostosa de me sentir pequenina, junta a esse deus tão caseiro. E lá, pai, eles nos vêem a nós? nada filha, não nos vêem. A luz daqui está suja, os homens poeiraram isto tudo.
_ Mas ela nos vê, lá nessa estrela onde foi?
O pai não respondia. Ele que tinha palavra para tudo, tropeçava sempre no mesmo silêncio. Minha mãe: dela não se mencionava nada. Ela não era nem criatura, nem coisa, nem causa. Nem sequer ausência. E não sendo nem sujeito nem passado, ela escapava a ser lembrada. Meu velho fugia a sete corações do assunto da saudade. Como daquela vez que a mão, veloz, enxugou o rosto.
_ Você nunca olhe o céu enquanto estiver chorando. Promete?
_Então, me dê uma estrela, pai.
_ Nada, as estrelas não podem ser dadas. nunca veja a noite por través da lágrima-insistiu ele, sério.
Depois, quando se ergueu lhe veio uma tontura, sua mão procurou apoio no meio de dançarinas visões. Eu o amparei, raiz segurando a última árvore.
_ Está doente, pai?
_Qual doente?! É a terra é uma mulher muito ciumenta.
E outras vezes ele voltou a tontear. Até que uma noite, após estranho silêncio, ele me disse, esquivo, quase tímido:
_ Vá lá. escolha uma...
_ Posso, pai?
E fingi apontar para uma estrela, entre os mil cristais do céu. Ele fez conta que anotava o preciso lugar, marcando no quadro negro o astro que eu apontara. me ajeitou a mão na minha fronte e me puxou para o seu peito. Senti o bater do seu coração.
- Escolheu bem, filha.
E explicou: aquela que eu indicara seria a luz onde ele iria morrer. Ninguém lembra o escuro onde nasceu. Todos viemos de fonte obscura. por isso, ele preferia a claridade dessa estrela ao escuro de um qualquer cemitério. Então, por primeira vez, meu pai fez referência àquela que me anteriorou:
_ É nessa estrela que ela está.
Agora, deitada de novo nas traseiras da casa, eu volto a olhar essa estrela onde o meu pai habita. lá onde ele se inventa de estar com a sua amada. E em meus olhos deixo aguar uma tristeza. A lágrima transgride a ordem paterna. Nesse desfoco, a estrela se converte em barco e o céu se desdobra em mar. Me chega a voz de meu pai me ordenando que seque os olhos. tarde de mais. Já a água é todas as águas e eu me vou deitando na capulana onde as primeiras mãos me seguraram a existência.



Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos
MIA COUTO





Hoje pela manhã levei Mia Couto à ESPAM
Licontei este conto "O fazedor de luzes"

Falei-lhes de Mia Couto e de como é mágico no reinventar de palavras.
De como elas "as palavras que inventa" adivinham a secreta natureza daquilo a que se referem,
e as entendemos como se nenhuma outra pudesse ter sido utilizada em seu lugar.
Mia transportou-nos para um mundo fantástico e deixámo-nos envolver...

O silêncio foi comovedor...
foi tempo de colher estrelas,
e de guardar um sentido:
TÃO LINDO...
Obrigada
Nanã

Agradecemos pois, todos, ao Mia Couto,
fazedor de histórias pequenas, muito grandes,
que nunca deixarei de semear...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Antony And The Johnsons

Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.

Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.

Natália Correia

Ámen...

"Creio nos anjos que andam pelo mundo
Creio na deusa com olhos de diamantes
Creio em amores lunares com piano ao fundo
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes
Creio que tudo é eterno num segundo
Creio num céu futuro que houve dantes
Creio nos deuses de um astral mais puro
Na flor humilde que se encosta ao muro
Creio na carne que enfeitiça o além
Creio no incrível, nas coisas assombrosas
Na ocupação do mundo pelas rosas
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen"

Natália Correia

domingo, 24 de maio de 2009

De que estamos à espera?...

Ken Robinson






“Todas as crianças nascem artistas, mas a dificuldade está em continuar a sê-lo quando crescem” Pablo Picasso"

Fica aqui uma chamada de atenção para este projecto magnifico que contabiliza já um percurso de 35 anos no Porto.

Com um percurso de 34 anos na área da educação pela arte, no Porto, os Gambozinos, sobre quem disse a crítica «vêm construindo […] o cancioneiro infantil e juvenil português da viragem do século e do milénio»...


O “Bando dos Gambozinos” é o nome de um jardim-de-infância onde a música, e a expressão artística em geral, tem um lugar preponderante na aprendizagem. Há três anos, esta filosofia de formação foi estendida ao 1º ciclo do ensino básico através da criação da “escolinha”. Mais do que um local de aprendizagem, os Gambozinos assume-se como um projecto artístico, filosófico e político. Isto, explica Susana Ralha, co-fundadora e uma das responsáveis dos Gambozinos, porque “não há nenhum projecto a nível educativo que não possa ser lido numa perspectiva política”.

Leia-se aqui uma entrevista feita à mentora deste projecto Suzana Ralha
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=4068


e a não perder no Câmara Clara RTP 2 a 31 de Maio

Educação pela Arte

CONVIDADOS: MADALENA VICTORINO E NATÁLIA PAIS
Natália Pais e Madalena Victorino, duas veteranas da Educação pela Arte de duas gerações diferentes, vão explicar-nos como é que fazer teatro, desenhar e pintar, ouvir contar histórias pode fazer das nossas crianças pessoas melhores.

sábado, 23 de maio de 2009

Bom fim de semana...



não é todos os dias que o soul e o flamenco se unem assim,
desta forma extraordinária,absolutamente divina...
digam lá que não sou amiga hmmm?
Ah...e espreitem mais, vale mesmo a pena o trabalho deste menino...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

e vou ouvindo...

É proibida a "leitura" a quem não andar espantado de existir...

Aventuras de João Sem Medo

Panfleto Mágico em forma de romance

O homem sem cabeça

"Era uma vez um rapaz chamado João que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, exígua aldeia aninhada perto do Muro construído em redor da Floresta Branca, onde os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam estalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos.
Apesar de ficar a pouca distância da povoação, ninguém se atrevia a devassar a floresta. Não só por se encontrar protegida pela altura do Muro, mas principalmente porque os choraquelogobebenses – infelizes chorincas que se lastimavam de manhã até à noite – mal tinham força para arrastar o bolor negro das sombras, quanto mais para se aventurarem a combater bichas de sete bocas, gigantes de cinco braços ou dragões de duas goelas. Preferiam choramingar, os maricas...

...O único que, talvez por capricho de contradizer o ambiente e instinto de refilar, resistia a esta choradeira pegada, era o nosso João que, em virtude duma contínua ostentação de bravata alegre e teimosia na luta, todos conheciam por João Sem Medo.
Ora um dia, farto de tanta choraminguice e de tanta miséria que gelava as casas e cobria os homens de verdete, disse à mãe que, conforme a tradição local, lacrimejava no seu canto de viúva:
- Mãe: não aturo mais isto. Vou saltar o Muro.
A pobre desatou logo aos berros de súplica que abalaram o Céu e a Terra:
- Ah! Não vás, não vás, meu filho! Pois não sabes que essa Floresta Maldita está povoada de Canibais Mágicos que se alimentam de sangue de homens? Sim, meu filho, de sangue humano bebido por caveiras. Não vás! Não vás!
E durante horas não cessou de barregar, histérica:
- Ai que não torno a ver o meu rico filhinho!
Mas as implorações da mãe não impediram que, na manhã seguinte, João Sem Medo se esgueirasse de Chora-Que-Logo-Bebes e se dirigisse à socapa para o tal Muro que cercava a floresta e onde alguém escrevera este aviso: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR...

José Gomes Ferreira

Delicioso para ler em qualquer altura
sozinhos ou acompanhados
sentados ou deitados
de barriga para baixo ou para cima
baixinho ou alto
aos pais e aos mais pequenos
porque esta é uma história
que a rir e a brincar
pisca o olho a todos nós
que ainda procuramos
o mundo que queremos afinal...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Go Patrick go...


Esta não é a tua última dança...
dançamos contigo,
dançaremos sempre...

pelo que nos ajudaste a sonhar,
e a acreditar no amor,
não em espírito,
mas assim...
"no teu" , no real,
no que tens pela vida e
por aquela,
que foi sempre o teu
verdadeiro amor.

GO Patrick go...
dançamos contigo



Genial...

Heather Nova

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Orgulho!

Conheci-os há três ou quatro anos por cá...
voltei a ter o privilégio de os ver actuar numa noite memorável,
das tais que de tão boas duram tão pouco...
em Faro, nos encontros Alcultur

uma voz linda que preenche a alma e o espaço
uma alegria e interacção com o público divina
músicos fabulosos...
são os OqueStrada
e a edição do FMM deste ano vai abrir com eles.

Heaven




Estou assim...
tal e qual,
salto da Cat para os Talking Heads
HEAVEN is a place...

Por cá vou ouvindo...



Carinho para os amigos que me mimam com mails como o que recebi hoje

Neil Gaiman





Damas da luz e damas das trevas, damas de tudo o mais,
esta é uma prece por uma blueberry girl.
Primeiro que tudo, senhoras,
tende a bondade de poupá-la a escorregadelas e tropeções aos dezasseis,
permiti que se mantenha desperta e ajuizada, livre de pesadelos aos três,
de maridos que lhe entristeçam o olhar aos trinta,
de dias tristes aos catorze,
de falsas amigas aos quinze.
Permiti que tenha dias de coragem e de verdade.
Permiti que vá a lugares a que nunca nos permitiram que fôssemos
e que tenha sempre alegria na sua juventude.
Damas da graça e damas da mercê, damas de poder misericordioso,
esta é uma prece por uma blueberry girl.
Concedei-lhe a vossa pureza de visão.
As palavras podem ser inquietantes,
as pessoas podem ser complexas
e os meios pouco claros.
Concedei-lhe a sabedoria de escolher o caminho direito,
livre de maldade e medo,
permiti que conte histórias e dance à chuva,
que dê cambalhotas, role e corra,
que as suas alegrias sejam tão altas como as suas tristezas profundas.
Permiti que cresça como uma erva ao sol.
Damas do paradoxo, damas do equilíbrio, damas das sombras que caem,
esta é uma prece por uma blueberry girl.
Ajudai-a a ajudar-se a si própria,
ajudai-a a levantar-se,
ajudai-a a perder-se e a encontrar-se,
ensinai-a que temos o tamanho dos nossos sonhos,
ensinai-a que a fortuna é cega,
que a verdade é uma coisa que ela terá de encontrar por si própria,
preciosa e rara como uma pérola.
Concedei todos estes dons e um pouco mais ainda a uma blueberry girl.


bons sonhos...

Uma resposta a Bach bach bach...Meep Meep Meep Meep Meeeeeeeeeep Meep-Meep

terça-feira, 19 de maio de 2009

Felicidade clandestina

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim um tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo.
Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte.
Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo.
E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que medar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar...
Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

Clarice Lispector, in Felicidade Clandestina

A Casa feita de sonho


casa do primeiro choro
dos primeiros sonhos...

Leve como uma pluma,
alta como uma torre,
quente como um ninho
e doce como o mel,
assim imaginei
desde pequeno
a minha casa…


Mais tarde, quando me encontrei só no mundo, como não tinha dinheiro, resolvi construí-la com as próprias mãos. Fiz primeiro a minha casa de papel, que é um material barato.
E assim que ficou pronta, vieram todos os ventos da Terra e levaram a minha casa de papel, leve como uma pluma…
Fiquei sem casa, mas não desisti.
E fiz a minha casa à beira-mar, com areia da praia, que é um material barato.
Mal estava pronta, vieram todas as marés do mundo e levaram a minha casa de areia, alta como uma torre…
Deu-me vontade de desistir, mas eu precisava de uma casa, e sobretudo não podia abandonar o meu sonho.
E resolvi fazer a minha casa de madeira, que é um material barato. Cortei-a dos bosques, com as próprias mãos!Ficou linda!…
Escondida entre a folhagem…
Mas ainda mal a tinha acabado, vieram todos os fogos do céu e queimaram a minha casa de madeira, quente como um ninho…
Chorei sobre as cinzas, como se chora uma pessoa querida que morreu.
Mas, mesmo assim, não desisti. E resolvi fazer a minha casa de açúcar…
Mas o açúcar não é um material barato! Pois não…
Mas eu precisava de uma casa, e sobretudo, não podia abandonar o meu sonho.Trabalhei, lutei, passei fome, para juntar o açúcar suficiente…
E quando a minha casa estava pronta — eram de açúcar as paredes, o chão, o tecto, os móveis, as portas e as janelas
— vieram todos os bichos da Terra e devoraram a minha casa de açúcar, doce como o mel…Fiquei sem casa. E desisti de construí-la com as próprias mãos…
Perguntam-me onde moro…
Onde moro eu? Sei lá!…
Vou pelo mundo, aqui, além, no bosque, à beira-mar…
Perguntam-me se não tenho casa… Tenho, sim!
Eu podia lá abandonar o meu sonho!…
Resolvi imaginá-la. Num sítio onde não chega o vento, nem o mar, nem o fogo, nem os bichos da Terra.
Fiz a minha casa com o meu próprio sonho.
Ficou linda!
Leve como uma pluma, alta como uma torre, quente como um ninho e doce como o mel…

Ricardo Alberty
A casa feita de sonho

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Leonard...In my Secret life



30 de Julho, 2009 - Lisboa, Pavilhão Atlântico

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."




andava perdido e esquecido dentro de mim...

resgatei-o hoje

O que quero é fazer o elogio do amor puro.

Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.

Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito.
Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa.
Por causa da cama.
Por causa das cuecas e das calças e das contas, da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".

O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de
camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.

O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo, de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria,maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor.
É essa beleza.
É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.
Tanto pode como não pode. Tanto faz.
É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor.
A"vidinha" é uma convivência assassina.

O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.

O amor não se percebe.
Não é para perceber.
O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar.
A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade.
É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão ébonita, não faz mal.
Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém.

Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber.
É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder.
Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso


Elogio ao Amor

Cantos...



fotos Maria Joyce


Os objectos, numa casa, são uma extensão de nós.
Inanimada, mas estranhamente íntima.
Marcam o tempo e encerram emoções.

Autor: Faíza Hayat

Brilhos...


fotos Maria Joyce

quinta-feira, 14 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Mar é a minha segunda casa...






Um ex-surfista americano decidiu dedicar-se à fotografia...
Fotografa ondas de dentro delas.
Clark Little, de 39 anos, começou a fazer as imagens há dois anos, e vive do dinheiro que ganha com a venda das fotos.
"O mar é minha segunda casa e eu amo o que faço", disse Little. "Não existe para mim aquela sensação de encarar o trabalho como uma obrigação."O fotógrafo conta que para obter as melhores imagens, utiliza uma câmera capaz de obter até dez fotos por segundo.
Corre riscos mas...
" existe sempre um risco para mim, por conta da força e tamanho das ondas, mas a minha experiência como surfista deixa-me à vontade para encarar as ondas sem medo", afirmou.
Para quem gosta de mar e de fotografia

"O Planalto e a Estepe" o novo de Pepetela


OS ROCHEDOS DA TUNDAVALA


«Os olhos dele continham o céu Planalto.
Na Huíla, Serra da chela, Dezembro, quando o azul mais fere.
Nos olhos dela estavam gravadas suaves ondulações da estepe mongol.
Tons sobre o castanho.
Entremos primeiro no azul.
(entremos no nosso azul, "mano velho" ...
isto é para ti, para todos nós, para o pai "nosso soba" para a mãe "nosso planalto" e para o J, porque o Z, já lá anda de certeza...
subir e descer a serra da Chela,
parar na Tundavala,
mandar a pedrinha e ficar à espera do eco...
A minha vida se resume a uma larga e sinuosa curva para o amor.
Começando por um caminho longo até Moscovo.
Não vos contarei todos os detalhes dessa viagem.
Houve outras, também importantes, houve mesmo muitas viagens.
Mas essa primeira viagem em arco amplo e súbitos desvios demorou mais,
começou na Huíla, Sul de Angola, quando fui parido.
Nasci no meio de rochedos. A casa, porém, era de adobe.
Casa de adobe com rochedos à volta. »
***

Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 60, em Moscovo, nasce um amor proibido. Baseada em factos verídicos, ficcionados pelo autor, esta história põe em evidência a vacuidade de discursos ideológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Política internacional, guerra, solidariedade e amor, numa rota que liga um ponto perdido de África a outro da Ásia, passando pela Europa e até por Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço, o de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez mais pequeno. Maravilhoso e comovente, este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas a fronteiras.

Barroco Tropical o novo de Agualusa




Uma mulher a cair do céu.

Contei os segundos entre o instante do relâmpago e o do trovão – um, dois,
três, quatro, cinco, seis, sete. Depois multipliquei por trezentos e quarenta, a
velocidade do som em metros por segundo, para calcular a distância a que
caíra o primeiro raio: dois quilómetros, trezentos e oitenta metros. Calculei o
segundo, o terceiro, o quarto. A tempestade avançava veloz na nossa
direcção. Soube onde iria cair o quinto raio um instante antes que o céu se
abrisse.
Kianda estava cerca de cem metros à minha frente e avançava,
avançava sempre, como num palco, empurrada pela luz. Os sapatos
afundavam-se na terra, vermelho laca sobre vermelho velho. Ao longe
dançavam palmeiras. Ainda mais ao longe erguia-se a sólida silhueta de um
imbondeiro. Kianda caminhava muito direita, de rosto erguido, as belas
mãos, de dedos longuíssimos e finos, cruzadas sobre o peito. A luz era uma
substância dourada e densa, quase líquida, à qual se colavam folhas secas,
papéis velhos, a fina poeira afogueada, matéria que o vento ia erguendo
nos seus braços tortos.
O meu amor continuava a avancar de encontro à massa negra das nuvens.
Barroco Tropical, a lançar em Junho pela Dom Quixote.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Começar...de novo...

Pelo Algarve...na serra


fotos Maria Joyce

Yo también crecí con el Yesterday...

Yo también nací en el 53
y jamás le tuve miedo a vivir
me subí de un salto en el primer tren
¡hay que ver! en todo he sido aprendiz...
No me pesa lo vivido,
me mata la estupidez
de enterrar u fin de siglo
distinto del que soñé.

Yo también nací en el 53
yo también crecí con el Yesterday
como tú, sintiendo la sangre arder
me abrasé sabiendo que iba a perder...
Siempre encuentras algún listo
que sabe lo que hay que hacer
que aprendió todo en los libros
que nunca saltó sin red.

Que te puedo contar que tú no hayas vivido
que te puedo contar que tú no hayas soñado...

Yo también nací en el 53
y soñé lo mismo que sueñas tú;
como tú no quiero mirar atrás
sé muy bien que puedo volverme sal...
Siempre tuve más amigos
de los que pude contar
sé que hay varios malheridos
que esperan una señal.

Qué te puedo contar que tú no hayas vivido
qué te puedo contar que tú no hayas soñado...

No me pesa lo vivido
me mata la estupidez
de enterrar un fin de siglo
distinto del que soñé...

Qué te puedo contar que tú no hayas vivido
qué te puedo contar que tú no hayas soñado.





yo también crecí con el Yesterday
como tú, sintiendo la sangre arder...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pois é assim...

de tão simples



tão lindo...

Divirtam-se...

De aorcdo com uma peqsiusa
de uma uinrvesriddae ignlsea,

não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo..


Fixem os olhos no texto abaixo e deixem a mente ler correctamente o que está escrito.


35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

Deliciem-se...

"O Estrangeiro"

o tão grande Caetano Veloso
aqui em 1995 no Rio de Janeiro
Caetano Veloso & Jaques Morelenbaum
tão, tão bom hmmmmmmmm?
Sei bem quem são os amigos que vão amar...
é para voçês (para nós) este mimo...





...Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo...

..."É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do espirito Santo amém..."

...E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contra o vento...

...E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mãe o que é isso??? Crowded House Live in Sydney Opera House em 1996 porquê?

Brutal
grande som...
ao vivo??
Brutal!
guardas?? sim guardo amor!




e eu à espera de ouvir Blheck música de cotas!

Não fazem sonhar?




São magníficas as ilustrações da Justine Brax!
Mágicas, e andam também por lá...
pelo meu chão!
:)

Ok ok ok prometo...


Vou continuar optimista lá lá lá...
está tudo bem lá lá lá...

SAVE THE WHALES Greenpeace

Cria a Tua baleia e envia-a para o Japão.
A minha já vai a caminho.


http://www.send-a-whale.com/sendawhale/landing.php

É porventura pouco aquilo que nós comuns mortais podemos fazer,
mas são estes pequenos gestos que marcam a diferença entre o que se faz e o que não se faz...
Contra a indiferença
marchar marchar

Heróis do meu tempo yehhhh...

Homem Aranha


Batman e Robin


Super Homem
Thor


Super Mulher


A vida é curta,
quebre regras,
perdoe rapidamente,
beije demoradamente,
ame verdadeiramente,
ria bem alto,
e nunca deixe de sorrir...

A vida não pode ser a festa que esperávamos,
mas enquanto estivermos por aqui, dançemos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

FREEWAY

Ok apetece-me ouvi-la sem parar!

o prazer que uma melodia pode proporcionar é indiscritivel...
não não é sequer das que mais gosto...
não é "Wise Up" ou "Save Me" da banda sonora de Magnólia nem lá perto.

Não sou dada a paixões assolapadas,
sou dada a paixões e tenho as minhas paixões,
sou de risadas altas, coração na boca,
borboletas na barriga,
gosto do sol, do mar, dos amigos,
da família, de famílias,
de dançar descalça ao luar (na areia de uma qualquer praia).
Não me pauto por regras,
nem sigo à risca modas estilos ou géneros.
Gosto do que gosto!
E gosto muito (da Aimee Mann porque me inspira,
gosto de "Freeway",
(beijo de luz que me faltava para um novo despertar)
Clic ou CliK como queiram,
porque tenho saudade
das minhas risadas altas e de mim...
e porque como diz o poeta



Ya sos mayor de edad
tengo que despedirte
pesimismo

años que te preparo el desayuno
que vigilo tu tos de mal agüero
y te tomo la fiebre
que trato de narrarte pormenores
del pasado mediato
convencerte de que en el fondo somos gallardos y leales
y también que al mal tiempo buena cara

...ya sos mayor de edad
chau pesimismo

y por favor andate despacito
sin despertar al monstruo

Mário Benedetti

terça-feira, 5 de maio de 2009

Clik com K ou C como queiram...

o que se ouve por aqui...





CLIK ou CLIC como queiram...

You got a lot of money, but you can't afford the freeway
The road to Orange County leaves an awful lot of leeway
Where everyone's a doctor or a specialist in retail
They'll sell you all the speed you want if you can take the blackmail

You know it
I know it
Why don't you
Just show it?
You got a lot of money, but you can't afford the freeway
You got a lot of money, but you can't afford the freeway

You got a lot of money, but you cannot keep your bills paid
The sacrifice is worth it just to hang around the arcade
You found yourself a prophet, but you left him on the boardwalk
Another chocolate Easter bunny, hollowed out by your talk

You know it
I know it
Why don't you
Just show it?
You got a lot of money, but you can't afford the freeway
You got a lot of money, but you can't afford the freeway

And everything I do is wrong
But at least I'm hanging on

You got a lot of money, but you can't afford
You got a lot of money, but you can't afford
You got a lot of money, but you can't afford the freeway
You got a lot of money, but you can't afford the freeway
You got a lot of money, but you
Can't afford
You got a lot of money, but you
Can't afford


FREEWAY

Quase quase lá...


Organização: AJAGATO; Apoio: CMSC

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Aimee Mann

Para que servem poetas?Poetas servem para...





nos deixarem assim, olhos fechados, nó na garganta e sem palavras
delicadamente roubado ao Geométricas
Curta metragem de Arturo Ruiz Serrano.

domingo, 3 de maio de 2009

Mãe...

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me?
-Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

:)...

mimo hoje :)...

Elas são as mães:

...São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar, o branco da rosa...


Eugénio de Andrade

Ainda a propósito...este amor mede-se???

sábado, 2 de maio de 2009

A água que vale água...


Arrancou em Portugal um projecto pioneiro de solidariedade. A água embalada Earth Water é o único produto no mundo com o selo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revertendo os seus lucros a favor do programa de ajuda de água daquela instituição.
A 59 cêntimos, a embalagem de Earth Water diz no rótulo que «oferece 100% dos seus lucros mundiais ao programa de ajuda de água da ACNUR».
Com 4 cêntimos, o ACNUR consegue fornecer água a um refugiado por um dia.

"Todos os dias morrem seis mil pessoas devido à falta de água potável e destas, 80% são crianças. A cada 15 segundos morre uma criança devido a uma doença relacionada com a água. Com a criação da Earth Water pretende fazer-se a diferença e melhorar estas estatísticas assustadoras. Ao desenvolver o conceito "You Never Drink Alone" pretende-se criar solução para a falta de água mundial.