quarta-feira, 30 de julho de 2008

29-07-08

30-07-08

Hoje
transporto no peito o doce sentir de mais uma batalha vencida...

A felicidade abraçou-me de novo...
e eu deixei...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

estava capaz de fazer uma fogueira

Estava capaz de fazer uma fogueira. Apetece-te uma fogueira?
Vou fazer uma fogueira.Estava capaz de rasgar o jornal de domingo aos bocadinhos
E tentar não ligar aos anúncios.Estava capaz de acabar de cavar o buraco que estive a abrir no quintal.
Estava capaz de fazer chá e tomar vitamina C.
Apetece-te uma chávena de chá?
Estava capaz de dar muito simplesmente um passeio, sem destino nenhum.
Estava capaz de ficar muito sossegadinho a um canto, parando de inventar motivos para andar de um lado para o outro.
Estava capaz de ter uma conversa contigo.
Apetece-te uma conversa?

Crónicas Americanas, Sam Shepard

terça-feira, 15 de julho de 2008

Vozes Anoitecidas

O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros.Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.Estas estórias desadormeceram em mim sempre a partir de qualquer coisa acontecida de verdade mas que me foi contada como se tivesse ocorrido na outra margem do mundo.Na travessa dessa fronteira de sombra escutei vozes que vazaram o sol. Outras foram asas do meu voo de escrever. A umas e a outras dedico este desejo de contar e de inventar.


Mia Couto

terça-feira, 8 de julho de 2008

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Dores...

(...) O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)"

Mia Couto in O Fio das Missangas

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Estórias Abensonhadas...

"A dor é uma estrada: você anda por ela, no adiante da sua lonjura, para chegar a um outro lado. E esse lado é uma parte de nós que não conhecemos. Eu já viajei muito dentro de mim."


Mia Couto, in "Estórias Abensonhadas"

Trémula Chama


"(...) Não somos robôs nem pedras falantes, senhor agente, disse a mulher, em toda a verdade humana há sempre algo de angustioso, de aflito, nós somos, e não estou a referir-me simplesmente à fragilidade da vida, somos uma pequena e trémula chama que a cada instante ameaça apagar-se, e temos medo, acima de tudo temos medo (...)

"in "Ensaio sobre a Lucidez", José Saramago, Editorial Caminho

Mar sonoro...Mar sem fundo...Mar sem fim...


"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que suponho
Seres um milagre criado só para mim."

"Mar sonoro", poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 2 de julho de 2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

Estórias Abensonhadas...




















"Ele não fazia cerimónia no viver. O sempre lhe era pouco e tudo insuficiente. (...) O pouco se fazia tudo e o instante transbordava eternidades."


Mia Couto, escritor, biólogo e poeta, in "Estórias Abensonhadas"

ilustração de Cristina Valadas