Não é da luz do sol que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto sob outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre. Necessitamos não do nascer do Sol. Carecemos do nascer da Terra.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Quando uma árvore morre...
Quando uma árvore morre ficamos todos mais pobres...
quando a árvore que morre faz tão parte da nossa vida, dos nossos encontros e reencontros, momentos de partilha de afectos únicos entre família e amigos a perda é tão grande...
Serena... De pé
Assim se vai a nossa árvore dos abraços...
A exemplo das árvores quero “morrer de pé,”
Seguindo ( respeitando ) inexoravelmente
A trajectória do prosseguir da “vida”...
Uma árvore é muito mais que matéria inerte. É uma amante, um espelho. Uma parcela de história e de esperança,
por isso
"Quando uma árvore é cortada, renasce noutro lugar.
Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz."
disse Tom Jobim
Luís João
a tua Palmeira renascerá com a "Floresta dos Livros"
pelo menos aí, na hora do conto, com toda a certeza
RENASCERÁ !
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Mensagens Comuns

A Raposa Azul
8 Histórias, 8 países,
diferentes continentes,
as mesmas preocupações,
alegrias, sonhos e desejos...
De entre elas, uma Angolana
MANEIRAS DE SER
cuja mensagem é comum
à da tão conhecida Inglesa
OS TRÊS PORQUINHOS
8 histórias agrupadas num pequeno livro
que me foi oferecido por Ana Maria Magalhães
Visitou-nos hoje e com ela veio o sol
Gostámos muito
Obrigada
I am sailing
acompanhou-me todo o dia
e fez-me viajar-----------
viajando
cheguei aqui...
e como adorei aqui chegar :)
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
OS POLÍGONOS E A RIMA
Da base do meu chapéu,
Tem um vértice tão alto
Que chega até ao céu.
__
O meu quadrado é
Um polígono regular,
Vamos lá olhar para ele
E os seus lados contar.
__
Eu vejo a forma de um rectângulo
No quadro, na mesa e na estante,
Saber como ele é
É muito importante.
__
De frente, a minha casa é um pentágono
Lados e vértices são cinco,
No seu jardim corro e salto
E com o meu cãozinho brinco.
__
O meu hexágono tem seis lados
É laranjinha às bolinhas.
É a forma da minha mesa,
Onde como batatinhas.
__
O meu círculo é redondinho,
Redondinho como o Sol,
Vejo-o em Monchique,
Sines e Almorol.
Margarida
terça-feira, 24 de novembro de 2009
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento
exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)
Recordar da melhor forma...
Wind of Change - Scorpions e Orquestra Filarmónica de Berlim
E a preferida
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Um sábado com...
o pai a mãe,
http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=19455&e_id=&c_id=1&dif=tv&dataP=2009-11-11
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Obstáculos
Deixo que os meus pés me levem.Os meus olhos pousam-se nas árvores,
nos pássaros, nas pedras.
No horizonte recorta-se a silhueta de uma cidade.
Fixo nela o olhar para a distinguir bem.
Sinto que a cidade me atrai.Sem saber como,
dou-me conta de que nesta cidade posso encontrar tudo o que desejo.
Todas as minhas metas, os meus objectivos e os meus logros.
As minhas ambições e os meus sonhos estão nesta cidade.
Aquilo que quero conseguir, aquilo de que necessito, aquilo
que eu mais gostaria de ser, aquilo a que aspiro,
aquilo que tento, aquilo pelo que trabalho,
aquilo que sempre ambicionei,
aquilo que seria o maior dos meus êxitos.
Imagino que tudo está nessa cidade.
Sem duvidar, começo a caminhar até ela.
Pouco depois de começar a andar,
a vereda põe-se a subir pela encosta acima.
Canso-me um pouco, mas não importa.
Sigo.
Avisto uma sombra negra, mais adiante, no caminho.
Ao aproximar-me, vejo que uma enorme vala impede a minha passagem.
Receio… Duvido.
Desgosta-me não conseguir alcançar a minha meta facilmente.
De todas as maneiras, decido saltar a vala.
Retrocedo, tomo impulso e salto…Consigo passá-la.
Recomponho-me e continuo a caminhar.
Uns metros mais adiante, aparece outra vala.
Volto a tomar impulso e também a salto.
Corro até à cidade: o caminho parece desimpedido.
Surpreende-me um abismo que detém o meu caminho.
Detenho-me.
É impossível saltá-lo.Vejo que num dos lados há tábuas,
pregos e ferramentas.
Dou-me conta de que estão ali para construir uma ponte.
Nunca fui habilidoso com as minhas mãos...penso em renunciar.
Olho para a meta que desejo…e resisto.
Começo a construir a ponte.
Passam horas, dias, meses.
A ponte está feita.
Emocionado, atravesso-a e ao chegar ao outro lado… descubro o muro.
Um gigantesco muro frio e húmido rodeia a cidade dos meus sonhos…
Sinto-me abatido…Procuro a maneira de o evitar.
Não há forma.Tenho de o escalar.
A cidade está tão perto…
Não deixarei que o muro impeça a minha passagem.
Proponho-me trepar.
Descanso uns minutos e tomo ar…
Rapidamente vejo,de um lado do caminho,
uma criança que olha para mim como se me conhecesse.
Sorri-me com cumplicidade.
Faz-me vir à memória como eu próprio era… quando criança.
Talvez por isso me atrevo a expressar em voz alta a minha queixa.
— Porquê tantos obstáculos entre o meu objectivo e eu?
A criança encolhe os ombros e responde-me.
— Porque mo perguntas a mim?
Os obstáculos não existiam antes de tu chegares…
Foste tu que trouxeste os obstáculos.
Jorge Bucay
Contos para pensar
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Desgosto

quarta-feira, 18 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
e não é?...
Rosa Montero
Nuvem
sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo que eras nuvem,
depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso,
e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar
quando caí.
Cecília Meireles
Dividir luzes de Mia...
Vale tê-los,
Se, de quando em quando,
Somos cegos
E o que vemos
Não é o que olhamos,
Mas o que o nosso olhar semeia no mais denso escuro
Vida
Vale vivê-la
Se de quando em quando
Morremos
E o que vivemos
Não é o que a vida nos dá
Nem o que dela colhemos
Mas o que semeamos em pleno deserto.”
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Porque amanhã e depois há histórias...
A história de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar
Kengah estendeu as asas para levantar voo, mas a espessa onda foi mais rápida e cobriu-a inteiramente. Quando veio ao de cima, a luz do dia havia desaparecido e, depois de sacudir a cabeça energicamente, compreendeu que a maldição dos mares lhe obscurecia a visão.
Kengah, a gaivota de penas cor de prata, mergulhou várias vezes a cabeça, até que uns clarões chegaram às pupilas cobertas de petróleo. A mancha viscosa, a peste negra, colava-lhe as asas ao corpo, e por isso começou a mexer as patas na esperança de nadar rapidamente e sair do centro da maré negra.
Com todos os músculos contraídos pelo esforço, chegou por fim ao limite da mancha de petróleo e ao fresco contacto com a água limpa. Quando, de tanto pestanejar e mergulhar a cabeça, conseguiu limpar os olhos, olhou para o céu e não viu mais que algumas nuvens que se interpunham entre o mar e a imensidade da abóbada celeste.
A mancha negra. A peste negra. Enquanto esperava o fatal desenlace, Kengah amaldiçoou os humanos.
- Mas não todos. Nada de injustiças – grasnou ela debilmente.
Desesperada perante a ideia de uma morte lenta, sacudiu-se toda e verificou com espanto que o petróleo não lhe tinha colado as asas ao corpo.
- Talvez tenha ainda uma possibilidade de sair daqui, e quem sabe se, voando alto, muito alto, o sol não derreterá o petróleo – grasnou Kengah.
Kengah bateu as asas energicamente, encolheu as patas, ergueu-se uns dois palmos e caiu de borco na água.
À quinta tentativa, Kengah conseguiu levantar voo.
Batia as asas com desespero, pois o peso da camada de petróleo não lhe permitia planar. Bastaria uma só pausa para ir por ali abaixo. Por sorte, era uma gaivota jovem e os músculos respondiam em boa forma.
Ganhou altura. Sem deixar de mover as asas, olhou para baixo e viu a costa que se perfilava apenas como uma linha branca. Viu também alguns barcos movendo-se como diminutos objectos sobre um pano azul. Ganhou mais altura, mas os esperados efeitos do sol não a atingiam. Talvez os seus raios produzissem um calor muito fraco, ou então era a camada de petróleo que era excessivamente espessa.
Numa desesperada tentativa de recuperar altura, fechou os olhos e bateu as asas com as suas últimas energias. Não soube durante quanto tempo manteve os olhos fechados, mas quando os abriu ia a voar sobre uma alta torre que ostentava um cata-vento de ouro.
- São Miguel! – grasnou ela ao reconhecer a torre da igreja de Hamburgo.
As asas negaram-se a continuar o voo.
Um gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda, ronronando e meditando acerca de como se estava bem ali, recebendo os cálidos raios pela barriga acima, com as quatro patas muito encolhidas e o rabo estendido.
No preciso momento em que rodava preguiçosamente o corpo para que o sol lhe aquecesse o lombo ouviu o zunido provocado por um objecto voador que não foi capaz de identificar e que se aproximava a grande velocidade. Atento, deu um salto, pôs-se de pé nas quatro patas e mal conseguiu atirar-se para o lado para se esquivar à gaivota que caiu na varanda.
Era uma ave muito suja. Tinha todo o corpo impregnado de uma substância escura e malcheirosa.
Zorbas aproximou-se e a gaivota tentou pôr-se em pé arrastando as asas.
- Não foi uma aterragem muito elegante – miou.
- Desculpa. Não pude evitar – reconheceu a gaivota.
- Olha lá, tens um aspecto desgraçado. Que é isso que tens no corpo? E que mal que cheiras! – miou Zorbas.
- Fui apanhada por uma maré negra. A peste negra. A maldição dos mares. Vou morrer – grasnou a gaivota num queixume.
- Morrer? Não digas isso. Estás cansada e suja. Só isso. Porque é que não voas até ao jardim zoológico? Não é longe daqui e lá há veterinários que te poderão ajudar – miou Zorbas.
- Não posso. Foi o meu voo final – grasnou a gaivota numa voz quase inaudível, e fechou os olhos.
- Não morras! Descansa um bocado e verás que recuperas. Tens fome? Trago-te um pouco da minha comida, mas não morras – pediu Zorbas, aproximando-se da desfalecida gaivota.
Vencendo a repugnância, o gato lambeu-lhe a cabeça.
- Olha, amiga, quero ajudar-te mas não sei como. Procura descansar enquanto eu vou pedir conselho sobre o que se deve fazer com uma gaivota doente – miou Zorbas preparando-se para trepar ao telhado.
Ia afastar-se na direcção do castanheiro quando ouviu a gaivota a chamá-lo.
- Vou pôr um ovo. Com as últimas forças que me restam vou pôr um ovo. Amigo gato, vê-se que és um animal bom e de nobres sentimentos. Por isso, vou pedir-te que me faças três promessas. Fazes? – grasnou ela, sacudindo desajeitadamente as patas numa tentativa falhada de se pôr em pé.
- Prometo-te o que quiseres. Mas agora descansa – miou ele compassivo.
- Não tenho tempo para descansar. Promete-me que não comes o ovo – grasnou ela abrindo os olhos.
- Prometo que não te como o ovo – repetiu Zorbas.
- Promete-me que cuidas dele até que nasça a gaivotinha.
- Prometo que cuido do ovo até nascer a gaivotinha.
- E promete-me que a ensinas a voar – grasnou ela fitando o gato nos olhos.
Então Zorbas achou que aquela infeliz gaivota não só estava a delirar como estava completamente louca.
- Prometo ensiná-la a voar. E agora descansa que vou em busca de auxílio – miou Zorbas trepando de um salto para o telhado.
Kengah olhou para o céu, agradecendo a todos os bons ventos que a haviam acompanhado e, justamente ao exalar o último suspiro, um ovito branco com pintinhas azuis rolou junto do seu corpo impregnado de petróleo.
Para saber o fim desta ternura, ler do escritor chileno Luís Sepúlveda “História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar”
e não é?...
Albert Camus
domingo, 8 de novembro de 2009
Que o campo seja teu
Quis agarrar a ti o mar
Quis agarrar a ti o sol
Quis que o mar fosse maior
Quis que o mar tocasse o sol
Quis que a luz entrasse em nós
Inundasse o lado frio
Quis agarrar a tua mão
E descer o nosso rio
Quero agarrar a ti o céu
Quero agarrar a ti o chão
Quero que a chuva molhe o campo
E que o campo seja teu
Para que eu cresça outra vez
Quero agarrar em ti raiz
Quero agarrar a ti o corpo
E eu quero ser feliz...
Quis agarrar a ti o barco
Quis agarrar a ti os remos
Que usamos nas marés
Quando as ondas são de ferro
Quero agarrar a ti a luta
Quero agarrar a ti a guerra
Quero agarrar a ti a praia
E o sabor de chegar a terra
Porque o mar tocou no sol
Inundou o lado frio
Porque o sol ficou em nós
E desceu o nosso rio
Por isso dá-me a tua mão
Não largues sem querer
Quero agarrar a ti o mar
Eu quero é viver.
Se tens medo da dor
Vem ver o que é o amor
Se não sabes curar
Vem ser o que é amar
Quero ver-te amanhecer.
de Tiago Bettencourt
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Madassa
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Na cabeça de Madassa habitava apenas o medo, escuro e negro, causado pelos barulhos da guerra, e pelos mortos, muitos mortos.
Na cabeça de Madassa vivia uma raiva imensa cheia de porquês.
Como se as perguntas fossem garras dilacerantes.
Na cabeça de Madassa pairava um nevoeiro de tristeza.
Tão espesso que ele não conseguia lembrar-se sequer da cara do irmão ou da irmã, cujo paradeiro ninguém conhecia.
Havia dias em que, na cabeça de Madassa morava a mesma fome que lhe enchia o ventre. A negrura do medo, as garras da raiva, o nevoeiro da tristeza – e, em certos dias, a fome – ocupavam toda a cabeça de Madassa.
Na cabeça de Madassa não havia lugar para as palavras.
A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa.
Quanto tinha tempo, lia-lhe histórias que ele sozinho não conseguia ler.
Lia-lhe a história do Pequeno Polegar, que tivera tanto medo na floresta.
E o medo do Polegarzinho passeava pela cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história de Martinho , que estava sempre irritado.
E a irritação do rapaz era igual à que existia na cabeça de Madassa.
Lia-lhe a história da Menina dos Fósforos.
E a tristeza da Menina chorava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pedro e a Lua, do menino que queria fazer florir a terra inteira com plumas de pássaro.
E as plumas dançavam na cabeça de Madassa.
E, entretanto, o que acontecia na cabeça de Madassa?
O medo do Polegarzinho deixava palavras para exprimir o medo.
A raiva de Martinho deixava palavras para exprimir a raiva.
A tristeza da Menina dos Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pedro e a Lua deixava palavras que davam vontade de dançar.
Certa manhã, as palavras, fortemente agitadas, não quiseram ficar na cabeça de Madassa.
Então, o menino pegou num caderno, numa caneta, e, embora desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:
Madassa medo
Madassa raiva
Madassa tristeza
Madassa no capim
Madassa ao vento
Madassa na água
Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde
Madassa galo tigre
Madassa sol
─ Um poema!
─ exclamou a professora.
─ Escreveste um poema!
Então escrever é isto!
Pegar nas palavras das histórias e transformá-las nas palavras de Madassa.
Mas é preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.
Madassa começou a ler.
E a escrever também.
Quanto mais lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais vontade tinha de ler.
Era um círculo mágico.
Madassa que não sabia ler nem escrever,
enchia agora cadernos e mais cadernos.
Talvez um dia escrevesse um livro.
Madassa escritor.
Michel Séonnet