30-07-08
Hoje
transporto no peito o doce sentir de mais uma batalha vencida...
A felicidade abraçou-me de novo...
e eu deixei...
Não é da luz do sol que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto sob outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre. Necessitamos não do nascer do Sol. Carecemos do nascer da Terra.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
estava capaz de fazer uma fogueira
Estava capaz de fazer uma fogueira. Apetece-te uma fogueira?
Vou fazer uma fogueira.Estava capaz de rasgar o jornal de domingo aos bocadinhos
E tentar não ligar aos anúncios.Estava capaz de acabar de cavar o buraco que estive a abrir no quintal.
Estava capaz de fazer chá e tomar vitamina C.
Apetece-te uma chávena de chá?
Estava capaz de dar muito simplesmente um passeio, sem destino nenhum.
Estava capaz de ficar muito sossegadinho a um canto, parando de inventar motivos para andar de um lado para o outro.
Estava capaz de ter uma conversa contigo.
Apetece-te uma conversa?
Crónicas Americanas, Sam Shepard
Vou fazer uma fogueira.Estava capaz de rasgar o jornal de domingo aos bocadinhos
E tentar não ligar aos anúncios.Estava capaz de acabar de cavar o buraco que estive a abrir no quintal.
Estava capaz de fazer chá e tomar vitamina C.
Apetece-te uma chávena de chá?
Estava capaz de dar muito simplesmente um passeio, sem destino nenhum.
Estava capaz de ficar muito sossegadinho a um canto, parando de inventar motivos para andar de um lado para o outro.
Estava capaz de ter uma conversa contigo.
Apetece-te uma conversa?
Crónicas Americanas, Sam Shepard
terça-feira, 15 de julho de 2008
Vozes Anoitecidas
O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros.Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.Estas estórias desadormeceram em mim sempre a partir de qualquer coisa acontecida de verdade mas que me foi contada como se tivesse ocorrido na outra margem do mundo.Na travessa dessa fronteira de sombra escutei vozes que vazaram o sol. Outras foram asas do meu voo de escrever. A umas e a outras dedico este desejo de contar e de inventar.
Mia Couto
Mia Couto
terça-feira, 8 de julho de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Dores...
(...) O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)"
Mia Couto in O Fio das Missangas
Mia Couto in O Fio das Missangas
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Estórias Abensonhadas...
"A dor é uma estrada: você anda por ela, no adiante da sua lonjura, para chegar a um outro lado. E esse lado é uma parte de nós que não conhecemos. Eu já viajei muito dentro de mim."
Mia Couto, in "Estórias Abensonhadas"
Mia Couto, in "Estórias Abensonhadas"
Trémula Chama

"(...) Não somos robôs nem pedras falantes, senhor agente, disse a mulher, em toda a verdade humana há sempre algo de angustioso, de aflito, nós somos, e não estou a referir-me simplesmente à fragilidade da vida, somos uma pequena e trémula chama que a cada instante ameaça apagar-se, e temos medo, acima de tudo temos medo (...)
"in "Ensaio sobre a Lucidez", José Saramago, Editorial Caminho
"in "Ensaio sobre a Lucidez", José Saramago, Editorial Caminho
Mar sonoro...Mar sem fundo...Mar sem fim...
quarta-feira, 2 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
Estórias Abensonhadas...
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