Não é da luz do sol que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto sob outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre. Necessitamos não do nascer do Sol. Carecemos do nascer da Terra.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
CONTOS TRAQUINAS PELAS ESQUINAS 2010
Esta foi roubada do Blog da Rute Reimão a quem muito agradeço as imagens e palavras bonitas lá "pintadas"...
Só faltam mesmo as fotos da Serenata à Lua que não pude tirar, por fazer parte do elenco. Assim que me chegarem às mãos aqui registarei o momento, mas desde já fica um beijinho muito grande para o Ricardo Moura, que mais uma vez nos encenou, divertiu, uniu e tornou possível uma noite diferente e linda na
BMSA. Parabéns Ricardo e parabéns para todos nós que estivemos bem...(e não fui eu que o disse)!
Agradeço ainda à Rute Reimão (ilustradora), ao Pedro Teixeira Neves (escritor e jornalista), à Cristina (contadora na Bib. de Sines), ao Gaspar ( Bibliotecário da BMS de Sines) pela simpatia e imediata disponibilidade, à Paula Cusati nossa colega (contadora na Bib. de Santiago do Cacém), à pequena Sara que com apenas 11 anos leu um conto de sua autoria, ao grupo de teatro Imaginário e a todos os meninos que participaram.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
UM PAI EM NASCIMENTO
quinta-feira, 18 de março de 2010
Quem disse que a pintura deve parecer-se com a realidade?
Quem o disse vê com olhos de não entendimento
Quem disse que o poema deve ter um tema?
Quem o disse perde a poesia do poema
Pintura e poesia têm o mesmo fim:
Frescura límpida, arte para além da arte
Os pardais de Bain Lun piam no papel
As flores de Zhao Chang palpitam
Porém o que são ao lado destes rolos
Pensamentos-linhas, manchas-espíritos?
Quem teria pensado que um pontinho vermelho
Provocaria o desabrochar da primavera?
Su Dong Po
Quem o disse vê com olhos de não entendimento
Quem disse que o poema deve ter um tema?
Quem o disse perde a poesia do poema
Pintura e poesia têm o mesmo fim:
Frescura límpida, arte para além da arte
Os pardais de Bain Lun piam no papel
As flores de Zhao Chang palpitam
Porém o que são ao lado destes rolos
Pensamentos-linhas, manchas-espíritos?
Quem teria pensado que um pontinho vermelho
Provocaria o desabrochar da primavera?
Su Dong Po
quarta-feira, 17 de março de 2010
ESCREVER A GIZ NO SOL
Encontrei as palavras para todos
Os meus pensamentos - excepto Um -
E isso - é um desafio para mim -
Como escrever a giz no Sol
Emily Dickinson
Os meus pensamentos - excepto Um -
E isso - é um desafio para mim -
Como escrever a giz no Sol
Emily Dickinson
domingo, 14 de março de 2010
Mais sábios que os homens são os pássaros. Enfrentam as tempestades noturnas, tombam dos seus ninhos, sofrem perdas, dilaceram as suas histórias. Pela manhã, têm todos os motivos para se entristecerem e reclamarem, mas cantam agradecendo a Deus por mais um dia. E vocês, portadores de nobres inteligências, que fazem com as vossas perdas ?
" Augusto Cury in "A Saga de um Pensador"
" Augusto Cury in "A Saga de um Pensador"
quinta-feira, 11 de março de 2010
A luavezinha
Minha filha tem um adormecer custoso. Ninguém sabe os medos que o sono acorda nela. Cada noite sou chamado a pai e invento-lhe um embalo. Desse encargo me saio sempre mal. Já vou pontuando fim na história quando ela me pede mais:
- “E depois?”
O que Rita quer é que o mundo inteiro seja adormecido. E ela sempre argumenta um sonho de encontro ao sono: quer ser lua. A menina quer luarejar e, os dois, faz contarmo-nos assim, eu terra, ela lua. As tradições moçambicanas ainda lhe aumentam o namoro lunar. A menina ouve, em plena verdade da rua: "olha os cornos da lua estão para baixo: vai cair a chuva que a lua guarda na barriga".
Me deu, um destes dias, a ideia de lhe contar uma estorinha para fazer pousar o sonho dela. E desencorajar seus infindáveis “e depois”. Lhe inventei a estória que agora vos conto.
Era uma avezita que sonhava em seu poleirinho. Olhava o luar e fazia subir fantasias pelo céu. Seu sonho se imensidava:
- “Hei-de pousar lá, na lua”.
Os outros lhe chamavam à térrea realidade. Mas o passarinho devaneava, insistonto: vou subir lá, mais acima que os firmamentos. Seus colegas de galho se riram: aquilo não passava de menineira. Todos sabiam: não havia voo que bastasse para vencer aquela distancia. Mas o passarinho sonhador não se compadecia. Ele queria luarar-se. Pelo que o tudo ficava nada.
Certa noite, de lua inteira, ele se lançou nos céus, cheio de sonho. E voou, voou, voou. Perdeu conta do tempo. Em certo momento ele não sabia se subia, se tombava. Seus sentidos se enrolaram uns nos outros. Desmaiou? Ou sonhou que sonhava? Certo é que seu corpo foi sacudido pelo embute de um outro corpo.
E pousou naquela terra da lua, imensa savana pétrea. A ave contemplou aquela extensão de luz e ficou esperando a noite para adormecer. Mas noite nenhuma chegou. Na lua não faz dia nem noite. É sempre luz. E o pássaro cansado de sua vigília quis voltar à terra. Bateu as asas mas não viu seu corpo se suspender. As asas se tinham convertido em luar. Com o bico desalisou as penas. Mas penas já nem eram: agora, simples reflexos, rebrilhos de um sol coado. O pássaro lançou seu grito, esses que deflagrava antes de se erguer nos céus. Mas sua voz ficou na intenção. A ave estava emudecida. Porque na lua o céu é quase pouco. E sem céu não existe canto.
Triste, ela chorou. Mas as lágrimas não escorreram. Ficaram pedrinhas na berma da pálpebra, cristais de prata. A avezita estava cativa da lua, aprisionada em seu próprio sonho. Foi então que ela escutou uma voz feita de ecos. Era a própria carne da lua falando:
- “Eu sonhei que tu vinhas cantar-me.
- “E porquê me sonhaste?
- “Porque aqui não há voz vivente.
- “Eu também sonhei que haveria de pousar em ti.
- “Eu sei. Agora vais cantar em luar. Eu sonhei assim e nenhum sonho é mais forte que o meu”.
É assim que ainda hoje se vê, lá na prata da lua, a pupila estrelinhada do passarinho sonhador. E nenhuma criatura, a não ser a noite, escuta o canto da avezinha enluarada. Sobre as primeiras folhas da madrugada, tombam gotas de cacimbo. São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua.
- “E depois, pai?”
Mia Couto in "Contos do nascer da terra"
- “E depois?”
O que Rita quer é que o mundo inteiro seja adormecido. E ela sempre argumenta um sonho de encontro ao sono: quer ser lua. A menina quer luarejar e, os dois, faz contarmo-nos assim, eu terra, ela lua. As tradições moçambicanas ainda lhe aumentam o namoro lunar. A menina ouve, em plena verdade da rua: "olha os cornos da lua estão para baixo: vai cair a chuva que a lua guarda na barriga".
Me deu, um destes dias, a ideia de lhe contar uma estorinha para fazer pousar o sonho dela. E desencorajar seus infindáveis “e depois”. Lhe inventei a estória que agora vos conto.
Era uma avezita que sonhava em seu poleirinho. Olhava o luar e fazia subir fantasias pelo céu. Seu sonho se imensidava:
- “Hei-de pousar lá, na lua”.
Os outros lhe chamavam à térrea realidade. Mas o passarinho devaneava, insistonto: vou subir lá, mais acima que os firmamentos. Seus colegas de galho se riram: aquilo não passava de menineira. Todos sabiam: não havia voo que bastasse para vencer aquela distancia. Mas o passarinho sonhador não se compadecia. Ele queria luarar-se. Pelo que o tudo ficava nada.
Certa noite, de lua inteira, ele se lançou nos céus, cheio de sonho. E voou, voou, voou. Perdeu conta do tempo. Em certo momento ele não sabia se subia, se tombava. Seus sentidos se enrolaram uns nos outros. Desmaiou? Ou sonhou que sonhava? Certo é que seu corpo foi sacudido pelo embute de um outro corpo.
E pousou naquela terra da lua, imensa savana pétrea. A ave contemplou aquela extensão de luz e ficou esperando a noite para adormecer. Mas noite nenhuma chegou. Na lua não faz dia nem noite. É sempre luz. E o pássaro cansado de sua vigília quis voltar à terra. Bateu as asas mas não viu seu corpo se suspender. As asas se tinham convertido em luar. Com o bico desalisou as penas. Mas penas já nem eram: agora, simples reflexos, rebrilhos de um sol coado. O pássaro lançou seu grito, esses que deflagrava antes de se erguer nos céus. Mas sua voz ficou na intenção. A ave estava emudecida. Porque na lua o céu é quase pouco. E sem céu não existe canto.
Triste, ela chorou. Mas as lágrimas não escorreram. Ficaram pedrinhas na berma da pálpebra, cristais de prata. A avezita estava cativa da lua, aprisionada em seu próprio sonho. Foi então que ela escutou uma voz feita de ecos. Era a própria carne da lua falando:
- “Eu sonhei que tu vinhas cantar-me.
- “E porquê me sonhaste?
- “Porque aqui não há voz vivente.
- “Eu também sonhei que haveria de pousar em ti.
- “Eu sei. Agora vais cantar em luar. Eu sonhei assim e nenhum sonho é mais forte que o meu”.
É assim que ainda hoje se vê, lá na prata da lua, a pupila estrelinhada do passarinho sonhador. E nenhuma criatura, a não ser a noite, escuta o canto da avezinha enluarada. Sobre as primeiras folhas da madrugada, tombam gotas de cacimbo. São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua.
- “E depois, pai?”
Mia Couto in "Contos do nascer da terra"
Pelo caminho dos sonhos...
..."Numa das noites, os seus olhos já mais fechados do que abertos, fixaram-se na lua. Estava cheia, redonda, perfeita. Por uns segundos sentiu-se bem a olhá-la assim. Não havia mais nada na noite: apenas ele e a lua. Quando adormeceu, viu que a lua ia crescendo, crescendo e se aproximava de si, insegura, trémula como uma bola de sabão. Começou a ver ao perto todos os desenhos que há na lua e que sempre vira, indecifráveis, ao longe. Era a lua da sua aldeia. Era a mesma que, de tempos a tempos, desaparecia por uns dias e depois voltava e ia crescendo até ficar como a via agora e como na realidade é. Era a mesma lua que dava profundidade aos uivos dos animais, corpo à noite e desenhava a sombra dos que caminhavam na noite.
Começou a ver claramente as suas montanhas de prata e as crateras onde podia jogar às escondidas com Rashid. Pensava todas estas coisas quando Rashid surgiu imprevistamente de uma cratera com o seu sorriso de alquimista de sonhos e lhe saiu ao caminho para o assustar. Bashu não se assustou, porque nenhum medo ou susto podia quebrar o encantamento e a alegria de rever Rashid.
-Não achas que o mundo seria melhor se não houvesse homens?
- Não, Rashid, porque se não houvesse homens não havia mundo. Só havia coisas sem nome.
- Não havia mal...
- Nem bem, Rashid. Só havia coisas sem nome.
-E para que precisamos do nome das coisas?
- Para chamá-las, Rashid.
E começaram a correr entre as crateras e a brincar como se fosse a primeira vez que brincavam. construíram pontes, baloiços e espantalhos. Jogaram às pedrinhas. tomaram banho nas crateras onde havia uma água tão límpida que não parecia água, parecia luz. Conversaram, inventaram histórias, desenharam árvores. Ouviram o uivar dos lobos. Seguiram as sombras que caminhavam sozinhas. Tocaram música num alaúde. Inventaram brinquedos novos e palavras novas para os chamar. Subiram pelos braços da lua e tocaram a sua face bela. Trocaram de sítio uma bandeira que encontraram e cujas estrelas se tinham apagado. Colheram narcisos e outras flores com foice de prata que há na lua.
E foi quando estavam na montanha mais alta da lua que ela começou a diminuir de tal maneira que deslizaram vertiginosamente pela encosta até chegarem à planície. Mas as próprias montanhas desapareciam à medida que a lua diminuía. Rashid e Bashu abraçaram-se, não por medo mas de alegria, pois sabiam que nada de mal lhes ia acontecer. Quando todo o espaço tinha desaparecido, Bashu acordou e ficou muito tempo a olhar os movimentos da floresta sem vontade nenhuma de levantar-se e caminhar.
Pensava como era diferente o tempo na lua e como era diferente a vida na companhia de Rashid. E como lhe apetecia voltar para trás, pelo caminho dos sonhos.
- Porque morrem os sonhos?"...
Excerto do livro "O CRESCER DAS ÁRVORES" de NUNO IGINO
Começou a ver claramente as suas montanhas de prata e as crateras onde podia jogar às escondidas com Rashid. Pensava todas estas coisas quando Rashid surgiu imprevistamente de uma cratera com o seu sorriso de alquimista de sonhos e lhe saiu ao caminho para o assustar. Bashu não se assustou, porque nenhum medo ou susto podia quebrar o encantamento e a alegria de rever Rashid.
-Não achas que o mundo seria melhor se não houvesse homens?
- Não, Rashid, porque se não houvesse homens não havia mundo. Só havia coisas sem nome.
- Não havia mal...
- Nem bem, Rashid. Só havia coisas sem nome.
-E para que precisamos do nome das coisas?
- Para chamá-las, Rashid.
E começaram a correr entre as crateras e a brincar como se fosse a primeira vez que brincavam. construíram pontes, baloiços e espantalhos. Jogaram às pedrinhas. tomaram banho nas crateras onde havia uma água tão límpida que não parecia água, parecia luz. Conversaram, inventaram histórias, desenharam árvores. Ouviram o uivar dos lobos. Seguiram as sombras que caminhavam sozinhas. Tocaram música num alaúde. Inventaram brinquedos novos e palavras novas para os chamar. Subiram pelos braços da lua e tocaram a sua face bela. Trocaram de sítio uma bandeira que encontraram e cujas estrelas se tinham apagado. Colheram narcisos e outras flores com foice de prata que há na lua.
E foi quando estavam na montanha mais alta da lua que ela começou a diminuir de tal maneira que deslizaram vertiginosamente pela encosta até chegarem à planície. Mas as próprias montanhas desapareciam à medida que a lua diminuía. Rashid e Bashu abraçaram-se, não por medo mas de alegria, pois sabiam que nada de mal lhes ia acontecer. Quando todo o espaço tinha desaparecido, Bashu acordou e ficou muito tempo a olhar os movimentos da floresta sem vontade nenhuma de levantar-se e caminhar.
Pensava como era diferente o tempo na lua e como era diferente a vida na companhia de Rashid. E como lhe apetecia voltar para trás, pelo caminho dos sonhos.
- Porque morrem os sonhos?"...
Excerto do livro "O CRESCER DAS ÁRVORES" de NUNO IGINO
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
Um pedacinho de sonho ...
Porque impede o tempo, atrasa a ruga e tenho saudades de me estender na areia, sentir a terra enamorar-se de mim e no meu silêncio, escutar-lhe o mar sob a pele do chão e tirar vantagens desses silêncios submarinos. Sou dele, do mar e tenho saudades...
Mar que quero!
(…) “Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga. Sabe o que faz? Estende-se aí na areia, oblonga-se deitadinha, estica a alma na diagonal. Depois, fica assim, caladita, rentinha ao chão, até sentir a terra se enamorar de si. Digo-lhe, Dona: quando ficamos calados, igual uma pedra, acabamos por escutar os sotaques da terra. A senhora num certo momento, há-de ouvir um chão marinho, faz conta é um mar sob a pele do chão. Aproveita esse embalo, Dona Luarmina. Eu tiro boas vantagens desses silêncios submarinhos. São eles que me fazem adormecer ainda hoje. Sou criança dele, do mar. (…)
Mia Couto
Mar me Quer
Mar que quero!
(…) “Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga. Sabe o que faz? Estende-se aí na areia, oblonga-se deitadinha, estica a alma na diagonal. Depois, fica assim, caladita, rentinha ao chão, até sentir a terra se enamorar de si. Digo-lhe, Dona: quando ficamos calados, igual uma pedra, acabamos por escutar os sotaques da terra. A senhora num certo momento, há-de ouvir um chão marinho, faz conta é um mar sob a pele do chão. Aproveita esse embalo, Dona Luarmina. Eu tiro boas vantagens desses silêncios submarinhos. São eles que me fazem adormecer ainda hoje. Sou criança dele, do mar. (…)
Mia Couto
Mar me Quer
terça-feira, 2 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Bernardo é quase árvore.
Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho:
um abridor de amanhecer
um prego que farfalha
um encolhedor de rios – e
um esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada).
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua incompletude?)
Manoel de Barros
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho:
um abridor de amanhecer
um prego que farfalha
um encolhedor de rios – e
um esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada).
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua incompletude?)
Manoel de Barros
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Fantástico...


Os designers Kim Hyo Jin e Seol Ah Sun, inspirados no delicioso livro de Shell Silverstein " A Árvore Generosa" desenvolveram um produto capaz de extrair água potável a partir da evaporação das folhas das árvores, a que chamaram "Savior Bud".
O Savior Bud é preso na base das folhas e, em quatro horas, absorve o suficiente para um copo de água. A intenção dos criadores é utilizar o produto em locais carentes de estrutura básica, como nos arredores da África por ex.
Como Shell e a sua "Árvore Generosa", continuam a inspirar todos os que o leram e o lêem...
Rêver un impossible rêve
Porter le chagrin des départs
Brûler d'une possible fièvre
Partir où personne ne part
Aimer jusqu'à la déchirure
Aimer, même trop, même mal,
Tenter, sans force et sans armure,
D'atteindre l'inaccessible étoile
Telle est ma quête,
Suivre l'étoile
Peu m'importent mes chances
Peu m'importe le temps
Ou ma désespérance
Et puis lutter toujours
Sans questions ni repos
Se damner
Pour l'or d'un mot d'amour
Je ne sais si je serai ce héros
Mais mon coeur serait tranquille
Et les villes s'éclabousseraient de bleu
Parce qu'un malheureux
Brûle encore, bien qu'ayant tout brûlé
Brûle encore, même trop, même mal
Pour atteindre à s'en écarteler
Pour atteindre l'inaccessible étoile.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
IMPERDÍVEL
BABA YAGA

“Baba Yaga tinha um único dente. E foi provavelmente isso que a tornou tão má.”
Começa assim mais um conto "Baba Yaga" ilustrado por Rebecca Dautremer. O texto é de Tai-Marc e foi publicado em Portugal pela Editora Educação Nacional.
É mais um daqueles livros para crianças que apaixona qualquer um.

“Baba Yaga tinha um único dente. E foi provavelmente isso que a tornou tão má.”
Começa assim mais um conto "Baba Yaga" ilustrado por Rebecca Dautremer. O texto é de Tai-Marc e foi publicado em Portugal pela Editora Educação Nacional.
É mais um daqueles livros para crianças que apaixona qualquer um.
O LIVRO NEGRO DAS CORES

Numa tentativa de passar a experiência da cegueira, este livro, da autoria de duas artistas venezuelanas, Menena Cottin (autora) e Rosana Faria (ilustradora) é uma experiência triunfante de leitura. Texto branco em páginas negras, encimado por braille; na página oposta, também negra, as imagens sugeridas pelo texto estão impressas em veniz espessurado, convidando o leitor a tocá-las. (Descodificar as imagens desta forma, propositadamente, é difícil) "O Tomás - começa o narrador - diz que o amarelo sabe a mostarda, mas é suave como as penas dos pintaínhos". Do lado oposto, delicadas penas flutuam pela página. Embora o conceito seja, por si só, cativante, as citações sobre cor revelam Tomás como um personagem de carácter forte. O vermelho "dói", o castanho "estala" e o verde "sabe a gelado de limão". São afirmações vindas de alguém que já meditou bastante sobre o assunto. No entanto, "...o preto é o rei das cores. É suave como a seda quando a mãe o abraça e o envolve com o seu cabelo." Seria um erro entender este livro como uma mensagem sobre a compensação dos outros sentidos na cegueira; essa interpretação não faz justiça a tudo aquilo que o Tomás nos oferece quando saboreia, sente, ouve e cheira as cores.
Publishers Weekly
Uma obra brilhante e para todos, agora em português, é o novo livro da Editora Bruáa
Prémios:
Bologna Ragazzi - New Horizons 2007
New York Times Best Illustrated Books 2008
Booklist Top 10 Art Books 2008
Booklist Editors' Choice - Books for Youth 2008
School Library Journal Best Books of the Year 2008
NCTE Notable Children's Book in the Language Arts 2009
CANIEM 2006
Prémio nacional de las artes gráficas 2006
Benny 2006
Selección SEP Biblioteca de aula 2006
"sempre presente o meu anjo"
2-02-64/25-06-2000
"Foi sem mais nem menos
que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
que me deu para abalar sem destino nenhum
Foi sem graça nem pensando na desgraça
que eu entrei pelo calor
sem pendura que a vida já me foi dura
p´ra insistir na companhia
o tempo não me diz nada
nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
a ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
não partiu para parte incerta
viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
sem paredes, sem ter portas nem janelas
nem muros para derrubar
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
de uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
e com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
será que existe em mim um passaporte para sonhar
e a fúria de viver é mesmo fúria de acabar
foi sem mais nem menos
que um dia selou a 125 azul
foi sem mais nem menos
que partiu sem destino nenhum
foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer
mas Deus leva os que ama
só Deus tem os que mais ama"
125 Azul, Trovante
"Foi sem mais nem menos
que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
que me deu para abalar sem destino nenhum
Foi sem graça nem pensando na desgraça
que eu entrei pelo calor
sem pendura que a vida já me foi dura
p´ra insistir na companhia
o tempo não me diz nada
nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
a ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
não partiu para parte incerta
viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
sem paredes, sem ter portas nem janelas
nem muros para derrubar
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
de uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
e com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu
talvez um dia me encontre
assim talvez me encontre
entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
será que existe em mim um passaporte para sonhar
e a fúria de viver é mesmo fúria de acabar
foi sem mais nem menos
que um dia selou a 125 azul
foi sem mais nem menos
que partiu sem destino nenhum
foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer
mas Deus leva os que ama
só Deus tem os que mais ama"
125 Azul, Trovante
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
AH MIA sempre MIA...
"Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer."
Mia Couto - Mar me quer
Mia Couto - Mar me quer
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Felicidade...
M80
A Felicidade tem medida própria...a nossa!
Pequenos acontecimentos como
um dia de SOL igual ao de hoje,
almoçar a ver e ouvir o mar
sintonizar a M80 no regresso e
a perspectiva de um fim de semana radioso
bastam para me desenhar um sorriso de orelha a orelha...
ele há dias assim, dias em que pouco é tanto!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
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